Anvisa manda retirar azeite, doce de leite e sal grosso do mercado
Agência veta três produtos por falhas em origem, rotulagem e composição; consumidores devem suspender uso imediato

Luciano Meira
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a retirada do mercado de um azeite de oliva extravirgem, de um doce de leite em pedaços e de um lote de sal grosso após identificar problemas que vão de origem desconhecida do produto a falhas em testes de laboratório e na rotulagem, com impacto direto na segurança dos alimentos e no direito à informação dos consumidores.
O que foi proibido
A decisão atinge três itens vendidos em diferentes pontos do país.
– Azeite de oliva extravirgem Terra das Oliveiras, com venda proibida, assim como sua fabricação, distribuição, importação e consumo.
– Doce de leite em pedaços da marca São Benedito, fabricado em 25 de junho de 2025, com comercialização, distribuição e consumo vetados.
– Sal marinho grosso iodado da marca Marfim, lote 901124, com venda e consumo suspensos e determinação de recolhimento do lote.
As medidas foram publicadas no Diário Oficial da União e têm validade em todo o território nacional.
Motivos da decisão
No caso do azeite Terra das Oliveiras, a Anvisa aponta que o produto tinha origem desconhecida e era comercializado pela internet, incluindo a plataforma Shopee. A empresa JJ-Comercial de Alimentos, que aparecia no rótulo como importadora, já estava extinta, o que inviabiliza a responsabilização sobre o produto.
O sal grosso Marfim, fabricado pela M Gomes Praxedes Ltda., foi reprovado em teste de teor de iodo realizado por laboratório público, com resultado abaixo do mínimo exigido pela legislação. No Brasil, a iodação do sal é obrigatória há décadas como estratégia de saúde pública para prevenir doenças da tireoide e problemas no desenvolvimento, especialmente na gestação.
Já o doce de leite em pedaços São Benedito, da JF Indústria Comércio de Doces e Laticínios, apresentou duas falhas: ausência de identificação do lote e reprovação em teste de ácido sórbico, conservante usado para evitar a deterioração dos alimentos por microrganismos. Para a agência, o problema indica falhas no controle de fabricação e levou à suspensão imediata da venda, distribuição e consumo.
Riscos e orientação ao consumidor
A ausência de iodo no sal, quando abaixo do padrão, pode comprometer uma política considerada essencial para prevenir distúrbios de tireoide na população. Já resultados insatisfatórios no uso de conservantes, como o ácido sórbico no doce de leite, aumentam o risco de deterioração do alimento e possíveis problemas à saúde.
No caso do azeite, a origem desconhecida e a falta de empresa legalmente responsável dificultam qualquer rastreabilidade em caso de dano ao consumidor. A orientação é que quem tiver algum desses produtos em casa interrompa o consumo, verifique rótulos e lotes e entre em contato com os canais de atendimento da Anvisa ou da vigilância sanitária local para esclarecimentos.
O que dizem as empresas
A São Benedito informou, em nota, que após ser notificada colaborou com os órgãos competentes e ajustou processos internos “para garantir que cada pote que chegue à sua mesa esteja 100% dentro dos padrões”. A empresa afirmou ainda que “preza pela tradição” e ressaltou que o uso de conservantes tem justamente o objetivo de garantir um alimento seguro.
A reportagem não obteve retorno da marca Marfim até a publicação do texto. A empresa responsável pela marca Terra das Oliveiras também não foi localizada.
