A janela não é a culpada pela paisagem: Pastor citado no escândalo do azeite de R$ 153 mil pede retirada de reportagem

Pastor Lelei – Reprodução Redes Sociais
Luciano Meira

Após a publicação de matéria sobre um vídeo que viralizou na internet na noite de sexta-feira (15), às 23h11, pelo WhatsApp, recebemos uma notificação do pastor Harlley Christian, vulgo pastor Lelei, e da Igreja Apostólica Amar é se Doar, solicitando a retirada da matéria e a interrupção da veiculação. Alegam que eventuais crimes de calúnia, difamação, violação da honra, imagem e reputação das partes estariam sendo cometidos.Inicialmente, para que não haja dúvidas quanto ao posicionamento editorial de O METROPOLITANO, deixamos claro que a veiculação de matérias envolvendo religiosos ou instituições religiosas não representa, de forma alguma, qualquer posicionamento sobre a fé professada por ninguém, tampouco sobre a instituição religiosa que seja objeto de reportagem.
Essa postura pode ser comprovada por meio das matérias publicadas em nosso portal, que abordam crimes cometidos por religiosos — sejam padres, pastores ou outros líderes — sem qualquer distinção. Também publicamos notícias sobre eventos e temas não criminais envolvendo religiosos e religiões de diversas denominações, listados e com links para leitura ao final desta matéria.

Quanto à publicação que está sendo contestada, trata-se da reprodução de um vídeo com descrfição textual narrando os fatos e comentários que circulam na rede social Instagram, na página @falafarizeu. A informação que chegou à nossa redação é que o vídeo começou a circular em Itaguara na quinta-feira (14), e na manhã de sexta-feira (15) já era assunto entre rodas de conversa na cidade. Entendemos, portanto, que poderia se tratar de um tema de interesse jornalístico, especialmente neste momento em que a mídia nacional dá destaque ao pastor, que foi flagrado em uma “investigação noturna” — como ele mesmo alega — usando calcinha e peruca loira.

Print da página do Instagram onde está o vídeo que foi o objeto da reportagem

Após uma simples busca na rede social, encontramos a página e assistimos ao vídeo, que demonstrou se tratar de assunto de interesse jornalístico, especialmente pelos diversos questionamentos presentes em sua descrição e, claro, pelo valor da garrafa de azeite, que supostamente traria uma bênção por R$ 153 mil. Outro ponto que chama atenção é a desenvoltura do pastor durante a performance, evidenciando que ele falava para um grupo com o qual mantém algum tipo de relacionamento. Em algumas ocasiões, ele olha diretamente para a câmera, indicando que sabe quem fez a filmagem. Portanto, não cabe, como foi feito na notificação, o questionamento ao O METROPOLITANO sobre a origem do vídeo, já que é razoável supor que o próprio pastor que posava para a câmera, deve saber quem é o autor, e a esta pessoa deve ser dirigido o questionamento de como o vídeo chegou à rede social.

Cabe ainda destacar que, na qualidade de empresa jornalística legalmente estabelecida como tal, com matéria assinada por profissional qualificado e registrado como jornalista profissional no Ministério do Trabalho, como exige a lei, o sigilo da fonte é uma garantia constitucional inegociável. Trata-se de cláusula pétrea que assegura ao veículo e ao jornalista o direito de noticiar, informar e alertar os cidadãos sobre o que, segundo sua avaliação profissional, julgar ser de relevante interesse jornalístico.

Quanto aos questionamentos constantes na descrição do vídeo, caso haja interesse e explicações plausíveis, o espaço para manifestação está aberto. Aproveitamos para, publicamente, fazer mais alguns questionamentos que também poderão ser respondidos, caso haja interesse e justificativa:

1. Ausência na reunião da Marcha para Jesus

Na terça-feira, 29/07, por volta das 15h30, estávamos pessoalmente na antessala do gabinete do prefeito, onde também se encontravam os pastores Marco Antônio, Diego e Fábio, aguardando o início de uma reunião sobre a Marcha para Jesus, que se realizaria no sábado seguinte (02/08). O evento, extremamente relevante, era aguardado com entusiasmo por trazer shows e apresentações de nível nacional, além de restabelecer um momento de comunhão que não ocorria em Itaguara há sete anos. O pastor Lelei e nenhum membro de sua igreja estavam presentes. Qual seria o motivo dessa ausência em um momento tão importante para os evangélicos da cidade?

Em tempo: Apesar de não termos participado da reunião, após seu encerramento, em conversa com o pastor Diego sobre o evento, comentamos sobre a eventual necessidade de uma ambulância para acompanhar os participantes durante o trajeto do Bairro dos Dias até a Praça do Santuário, devido ao aumento da temperatura típico da época. A solicitação foi prontamente atendida pelo pastor, que contatou o responsável pela logística do evento.

2. Ausência na tramitação do projeto de lei

Durante a tramitação do projeto de lei que criou a data oficial da Marcha para Jesus em Itaguara — inserida no calendário oficial de festividades da cidade e noticiada por O METROPOLITANO — não houve qualquer menção ao pastor Lelei ou a membros de sua igreja. Reiteramos a pergunta: qual seria o motivo dessa ausência em um momento tão relevante para os evangélicos da cidade?

Questões envolvendo PIX enviado por engano, comissões sobre lucros obtidos com vendas de automóveis e outros bens, restrições a casamentos com não membros da igreja, movimentações financeiras não justificadas e o “êxodo de fiéis” da igreja, entendemos não serem de interesse jornalístico neste momento, pois ainda estamos apurando os fatos, mas no momento oportuno, após as devidas apurações para que não haja prejuízo à imagem ou reputação de ninguém e caso sejam assuntos de interesse jornalístico poderão ser publicados.

Desde já, colocamo-nos à disposição para prestar esclarecimentos onde acreditamos que também nos será permitido apresentar nossos questionamentos, em qualquer esfera judicial que Vossa Senhoria desejar, oportunidade em que todos os pontos que geram dúvidas para ambos os lados, poderão ser esclarecidos na presença das autoridades competentes.

Por fim, informamos que a matéria não será retirada de nosso portal sem uma ordem judicial transitada em julgado, e reafirmamos o que dissemos no título da matéria: A janela não é a culpada pela paisagem.

Abaixo, listamos alguns links com matérias e notícias, inclusive a que está sendo questionada pelo pastor e sua igreja, envolvendo religiosos e religiões que podem ser consultados:

Azeite abençoado de R$ 153 mil

Escândalo em Itaguara: pastor Lelei consagra azeite durante caravana a Israel e pede ofertas de R$ 153 mil

Padre acusado de crimes sexuais

Nem dos homens e nem divina. Justiça solta ex-padre denunciado por crimes sexuais

Ex seminarista escreve sobre “gayminários”

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Pastor assassina menina Steffany

Indiciado o Pastor brocha que matou Stefany

Pastor indiciado em 13 crimes sexuais

Pastor ‘desfila’ pelo Código Penal sendo indiciado por 13 crimes sexuais em igreja de BH

Prefeito sanciona Lei Marcha para Jesus

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Marcha para Jesus

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