Alessandro Vieira colhe assinaturas necessárias para CPI do Banco Master no Senado
Senador afira que atingiu 27 apoios para investigar relações de Toffoli e Moraes com banqueiro Daniel Vorcaro, visando resgatar confiança nas instituições

Luciano Meira
O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) anunciou nesta segunda-feira (9) ter coletado as 27 assinaturas necessárias para protocolar requerimento de instalação de uma CPI no Senado Federal, com foco na apuração de eventuais relações pessoais ou financeiras entre os ministros do STF Dias Toffoli e Alexandre de Moraes e o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Apresentado na sexta-feira (6), o pedido visa examinar possíveis impactos dessas relações na conduta funcional dos magistrados, sem condenações prévias, mas com ênfase na independência judicial. Vieira planeja reforçar o número de adesões antes do protocolo oficial na Mesa Diretora, presidida por Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
O Banco Master entrou em liquidação extrajudicial no final de 2025 após revelações de fraudes bilionárias na operação Compliance Zero, envolvendo desvio de recursos de fundos de previdência e pressão por aprovação de venda ao BRB. Suspeitas surgiram com mensagens interceptadas no celular de Vorcaro indicando proximidade com Moraes, além de uma sociedade passada de Toffoli com empresa ligada ao banqueiro, levando o ministro a deixar a relatoria do caso no STF. Há ainda denúncias de contrato de R$ 129 milhões entre o banco e o escritório da esposa de Moraes, supostamente atípico para advocacia.
Vieira, relator da CPI do Crime Organizado, defendeu a medida para submeter todos à lei e testar a coragem parlamentar. “Vamos continuar a coleta até um número mais seguro […] Sem condenação antecipada, mas com muita firmeza, vamos realizar uma investigação absolutamente necessária para resgatar a confiança dos brasileiros nas instituições”, declarou o senador em redes sociais. Ministros negam irregularidades: Moraes afirmou não haver mensagens direcionadas a ele nos arquivos apreendidos, enquanto Toffoli divulgou histórico de decisões deferindo pedidos da PF e PGR na operação.
Próximos passos e reações
Com o quórum mínimo atingido (um terço dos 81 senadores), o requerimento avança para análise da presidência do Senado, podendo ser instalado em breve se não houver obstruções regimentais. A iniciativa soma-se a pedidos anteriores, como o de Eduardo Girão (Novo-CE) com 42 assinaturas em janeiro e um com 280 adesões de deputados e senadores, mas focados mais amplamente no banco. Críticos veem a CPI como essencial para esclarecer o maior escândalo financeiro recente, enquanto aliados do STF questionam motivações políticas em ano eleitoral.
