Após o episódio da banana com casca e o mico nas pesquisas, agora Zema ataca o STF

Governador mineiro, afundado em pesquisas presidenciais e com rombo nas contas de MG, entra na onda da extrema-direita com pedido de impeachment contra Moraes

Romeu Zema (Novo) – Foto: Arquivo RMC
Luciano Meira

Romeu Zema (Novo), governador de Minas Gerais, protocolou na segunda-feira (9) pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes no Senado, alegando conversas suspeitas com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, preso em investigações da PF. O gesto ocorre após o próprio Moraes negar autoria das mensagens, com perícia indicando que não pertencem ao seu número, e o escritório da esposa do ministro, Viviane Barci, negar atuação no STF em favor do banco. A atitude de Zema, que chamou o STF de “casta dos intocáveis”, surge em meio a pesquisas Datafolha recentes mostrando-o com apenas 4% a 5% das intenções de voto para presidente em 2026, mantendo um desempenho insignificante desde o início dos levantamentos.As supostas mensagens e as negativas

As supostas conversas entre Moraes e Vorcaro vieram à tona via prints divulgados pela colunista Malu Gaspar (O Globo), extraídos do celular do banqueiro, preso em novembro de 2025. Moraes rebateu em nota oficial, afirmando que análise técnica nos dados telemáticos de Vorcaro prova que as mensagens de visualização única não foram enviadas a ele, aparecendo em pastas de outros contatos. O escritório Barci de Moraes, onde atuam a esposa e filhos do ministro, foi contratado pelo Banco Master, mas negou qualquer influência no STF. Zema, no entanto, insiste na tese de “farra dos intocáveis”, protocolando o pedido assinado por lideranças do Novo, como Eduardo Ribeiro e o deputado cassado Deltan Dallagnol.

Rejeição nas urnas e o desespero eleitoral

Pesquisa Datafolha de março de 2026 coloca Zema com míseros 4% contra Lula (39%) e Flávio Bolsonaro (34%), confirmando irrelevância na corrida presidencial. Seu indicado à sucessão em Minas, o vice Mateus Simões, patina com números baixos: pesquisas como Paraná Pesquisas (outubro 2025) e Quaest dão-lhe 4% a 6%, atrás de Cleitinho (Republicanos), enquanto enfrenta rejeição de até 64% em levantamentos como o do Instituto Ver. Recorde de desespero: ano passado, Zema comeu banana com casca em vídeo irônico para “economizar”, ironizando Lula, mas agora abraça retórica extremista contra o STF.

Crise em Minas e hipocrisia fiscal

Enquanto ataca a Corte, Minas Gerais encerra 2025 com rombo de R$ 11,3 bilhões em caixa não vinculado, o pior do país, somando restos a pagar de R$ 3,7 bi e despesa com pessoal no limite prudencial de 48,22% da Receita Corrente Líquida. Críticos como o Sindifisco-MG apontam reajustes salariais só pela inflação, financiando o governo às custas do funcionalismo. O ministro Gilmar Mendes reagiu duramente: “É chocante ver um governador como o de Minas Gerais, que levou o estado a uma debacle econômica, mas que está sobrevivendo graças a liminares dadas por esse tribunal, atacar o tribunal”.

A escalada de Zema expõe contradição: governa um estado sustentado por decisões judiciais que critica, priorizando bravatas eleitorais a problemas concretos como o déficit bilionário. Analistas veem na adesão à extrema-direita uma estratégia para sobreviver politicamente, mas com risco de isolamento com Minas Gerais à beira do colapso fiscal.

O Metropolitano

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