Beatriz Cerqueira critica atraso de Zema em reajuste para servidores de MG
Deputada afirma que demora no envio de projeto à Assembleia foi estratégia para limitar debate sobre perdas salariais

Luciano Meira
O governo de Minas Gerais, sob a gestão de Romeu Zema (Novo), enviou à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) o projeto de reajuste salarial de 5,4% para os servidores públicos civis e militares, que apesar do atraso em relação ao cronograma esperado foi aprovado. A proposta chegou à Casa apenas em março, período próximo às restrições impostas pela legislação eleitoral. A deputada estadual Beatriz Cerqueira (PT) afirma que a demora na entrega do texto compromete o debate democrático e a análise técnica das comissões.
O atraso no envio é visto pela parlamentar como uma manobra estratégica do Executivo. Segundo a deputada, o governo utilizou um curto espaço de tempo para “pressionar para que debates não acontecessem”. Ela ressalta que o governador Romeu Zema causou a limitação de prazos e, posteriormente, cobrou celeridade dos deputados em declarações públicas. A parlamentar classifica essa postura como “desrespeitosa”, dado que a tramitação só se inicia com a iniciativa do próprio Estado.
Beatriz Cerqueira destaca que o índice de 5,4% proposto tem “repercussão limitada” na vida dos trabalhadores devido ao cenário de precarização. Dados apresentados pela deputada indicam que categorias da educação, como auxiliares de serviço, e universidades estaduais possuem tabelas salariais inferiores ao salário mínimo. O projeto atual não resolve distorções estruturais de carreira e ignora benefícios como o adicional de insalubridade para servidores da educação.
A deputada aponta que o reajuste não recompõe as perdas inflacionárias acumuladas ao longo dos últimos sete anos da gestão atual. “Uma recomposição salarial é importante quando ela acontece com todo trabalhador recompondo a inflação para manter o poder de compra”, afirmou Cerqueira em entrevista. Ela ressalta que o governo ignora mesas de negociação com sindicatos e não apresenta propostas que corrijam perdas históricas de diversas carreiras.
Diante do cenário, a oposição e blocos independentes planejam a apresentação de emendas durante a tramitação em segundo turno nas comissões. O objetivo das ações é tentar melhorar o percentual ou incluir garantias específicas para as categorias mais defasadas. A deputada relembrou que, no ano anterior, a ALMG conseguiu instituir uma regra que proíbe o Estado de pagar menos que um salário mínimo após intenso diálogo com a sociedade.
As mobilizações de servidores e sindicatos devem continuar na capital mineira independentemente do resultado da votação do índice de 5,4%. Beatriz Cerqueira avalia que o descontentamento das categorias não se esgota neste projeto, visto que problemas de saúde pública e contratos precários persistem. A perspectiva é que a votação definitiva ocorra na última semana de março, sob pressão tanto do governo quanto das entidades de classe.
O impacto deste embate reflete a tensão política entre o Executivo e o Legislativo mineiro em ano de definições fiscais importantes. Economicamente, o reajuste abaixo da inflação acumulada pode desaquecer o consumo local da categoria e aumentar o déficit de profissionais em áreas essenciais como saúde e educação básica. Politicamente, a gestão de prazos pelo governo Zema testa a autonomia da Assembleia e a capacidade de articulação da oposição frente a temas de alta sensibilidade social.
