Caminhoneiros descartam greve nacional após acordo com governo federal em Brasília

Lideranças da categoria entram em consenso com o Palácio do Planalto sobre o piso do frete e suspendem ameaça de paralisação no transporte de cargas

Ministro Guilherme Boulos e lideranças dos caminhoneiros anunciam que não haverá greve – Foto: Ruy Castro\ASCOM\SGPR
Luciano Meira

Representantes dos caminhoneiros autônomos e o governo federal confirmaram nesta quarta-feira (25) que não haverá paralisação nacional da categoria. A decisão ocorreu após reunião em Brasília entre líderes sindicais e o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos. O encontro selou o apoio dos motoristas à Medida Provisória 1.343/2026, que endurece a fiscalização do piso mínimo do frete rodoviário.

A ameaça de greve ganhou força no início de março após o preço do diesel acumular alta de 18,8% nas bombas. O cenário de instabilidade no mercado de petróleo, agravado por conflitos no Oriente Médio, elevou os custos operacionais dos transportadores. Em resposta, o governo federal publicou a MP do Frete em edição extra do Diário Oficial da União para garantir o cumprimento da tabela mínima.O novo texto legal prevê multas severas, que variam de R$ 1 milhão a R$ 10 milhões, para empresas que descumprirem os valores estabelecidos. A fiscalização será automatizada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), com o objetivo de atingir 100% das operações. “Greve se faz quando a gente perde e não quando a gente está ganhando”, afirmou Luciano Santos, presidente do sindicato.

O governo também anunciou a desoneração imediata de tributos federais (PIS/Cofins) sobre o diesel para mitigar as variações internacionais. Além disso, a Polícia Federal e a Agência Nacional do Petróleo (ANP) iniciaram ofensiva contra preços abusivos em postos de combustíveis. O ministro Guilherme Boulos destacou que o diálogo foi fundamental para evitar prejuízos ao abastecimento nacional.

Apesar do recuo, a categoria mantém-se em estado de alerta para acompanhar a tramitação da medida no Congresso Nacional. Os caminhoneiros pretendem pressionar deputados e senadores para evitar que o texto sofra alterações por pressão das transportadoras e grandes embarcadores. Uma mesa de diálogo permanente foi instalada para monitorar o cumprimento das regras e a variação do preço do diesel.

O descarte da paralisação afasta o risco imediato de desabastecimento de alimentos e insumos industriais, preservando a estabilidade da inflação. Analistas avaliam que a manutenção do fluxo rodoviário é vital para o crescimento econômico no primeiro trimestre. O impacto político da negociação reforça a interlocução direta do Planalto com setores estratégicos, embora a volatilidade do petróleo continue como desafio estrutural para o setor.

O Metropolitano

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