EUA paga caro até pelo hambúrguer: a tarifa de Trump que azeda o pão de cada dia

Nova onda de tarifas prometida por Trump ameaça encarecer alimentos e travar a economia americana — com direito até a hambúrguer “premium”, enquanto o presidente defende Bolsonaro e esquece os próprios consumidores

Fotos: Reprodução Redes Sociais – Arte RMC
Luciano Meira

O consumidor estadunidense pode se preparar: aquele hambúrguer suculento, tradicional símbolo do fast food americano, pode virar item gourmet — pelo menos no preço. Donald Trump, em seu segundo mandato, decidiu elevar tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros, como carne bovina, café, suco de laranja e frutas, numa cruzada que, segundo ele, protege a América dos vilões estrangeiros. O efeito? De acordo com analistas, as novas sobretaxas devem pegar em cheio o bolso do consumidor, inflamando ainda mais a conta do supermercado e transformando a simples experiência de comer hambúrguer em um luxo digno de Wall Street.

O que está acontecendo?

Desde o início de agosto, as tarifas historicamente altas entraram em vigor nos Estados Unidos, elevando o imposto médio sobre importações a mais de 17%, recorde que não era visto desde a Grande Depressão. O Brasil, tradicional exportador de carne bovina, suco de laranja e café para os americanos, viu seu setor agropecuário ameaçado por taxas de 50% — valor que, segundo consultores do setor, torna inviável a importação desses produtos.O problema se agrava porque os Estados Unidos atravessam uma crise na sua produção interna de carne: o rebanho nacional é o menor em mais de 70 anos, resultado de uma longa seca e custos altos para engorda e alimentação. Ou seja, com menos carne nos ranchos americanos e mais carne cara do Brasil (dada a tarifa), o preço do hambúrguer nacional sobe como nunca, empurrando consumidores até para o vegano por necessidade.

O impacto no prato e no bolso

Especialistas já alertam que os aumentos não se limitarão à carne. Café, frutas tropicais e suco de laranja podem virar artigos exóticos, com preços explosivos nas gôndolas: cerca de 80% do suco de laranja consumido nos EUA vem do Brasil, e a elevação tributária deve desequilibrar oferta e demanda. O café, produto indispensável para a maioria dos americanos, entra na onda das tarifas, mesmo sendo impossível cultivá-lo nos EUA.

Pior: os custos das tarifas são repassados diretamente ao consumidor — não há milagre contábil. As indústrias de alimentos enfrentam aumento de 3 a 7% nos preços dos insumos, e supermercados já projetam que o preço do hambúrguer, por exemplo, pode saltar 10% ou mais, só no curto prazo. Para completar o quadro tragicômico, a inflação dos alimentos não vem acompanhada de crescimento dos salários, tornando a simples ida ao drive-thru uma experiência de “luxo”.

Irônia diplomática: Trump defende Bolsonaro, mas penaliza o próprio povo

O mais irônico no circular de tarifas supostamente recíprocas de Trump é que, ao tentar proteger o ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro — alvo de investigações e restrições judiciais no Brasil, acusado de tentativa de golpe —, Trump parece sacrificar os interesses dos próprios americanos. A cruzada tarifária foi justificada como represália à chamada “caça às bruxas” contra Bolsonaro, mas isso pouco importa para quem quer comer um hambúrguer barato ou tomar o tradicional café da manhã.

Enquanto defende Bolsonaro e anuncia sanções à Suprema Corte brasileira, Trump consegue, de forma surreal, inflacionar o custo de vida nos Estados Unidos e irritar inclusive seus eleitores fiéis no Meio-Oeste, região onde carne bovina barata era quase um direito constitucional.

Sobretaxa, inflação e mal-estar

A promessa de Trump era “America First” (América Primeiro), mas na prática, o slogan virou “America Pays More” (América Paga Mais). Segundo uma das mais importantes revistas de economia do mundo, a inglesa The Economist (com direito a pitadas ácidas), os aumentos tarifários são a maior asneira econômica desde os anos 30, punindo não só brasileiros, mas também americanos, que passam a ser privados de variedade, sofrem com preços altos e veem a competição leal entre produtores desaparecer.

Essa política, criticada por economistas ganhadores de Nobel a padeiros, deve tornar o cenário inflacionário crônico, e tudo indica que os estadunidenses logo sentirão saudade dos tempos em que um Big Mac cabia no orçamento da semana.

No fim das contas, o único hambúrguer blindado nas prateleiras será aquele decorado por moções de congratulação dos deputados brasileiros enxotados pela ética — porque, entre Trump, Bolsonaro e tarifas de 50%, já não se sabe quem é o verdadeiro vilão internacional da comida cara.

O Metropolitano

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