Flávio Bolsonaro: de homenagens a milicianos a áudios com banqueiro preso, trajetória previsível

Pré-candidato à Presidência acumula polêmicas desde mandato na Alerj; áudio recente reforça padrão de relações questionáveis

Flávio Bolsonaro (PL) – Foto: Reprodução Redes Sociais

Luciano Meira

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, mantém trajetória marcada por controvérsias desde os tempos de seu mandato como deputado estadual no Rio de Janeiro. A sequência de episódios, revelados em investigações e reportagens, questiona a imagem que tenta projetar de político íntegro.

Em setembro de 2003, Flávio Bolsonaro entregou Moção de Louvor ao então tenente Adriano Magalhães da Nóbrega, policial militar preso por homicídio. Dois anos depois, em junho de 2005, o deputado concedeu a Medalha Tiradentes, maior honraria da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), ao mesmo miliciano, que se encontrava preso, no Batalhão Especial Prisional. Adriano, apontado como chefe da milícia “Escritório do Crime”, foi morto em 2020, e era um dos suspeitos de envolvimento no assassinato da vereadora Marielle Franco.

Entre 2016 e novembro de 2018, o gabinete de Flávio na Alerj empregou Raimunda Veras Magalhães, mãe de Adriano, e Danielle Mendonça da Costa da Nóbrega, ex-esposa do miliciano. Raimunda aparece em relatórios do Coaf por repasses atípicos a Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio. As contratações ocorreram no período do suposto esquema de “rachadinha”, desvio de salários de assessores.

O caso das rachadinhas levou à denúncia de Flávio por peculato, organização criminosa e lavagem de dinheiro na Alerj. Embora provas tenham sido anuladas pelo STJ em 2021 e STF em 2022 por questões técnicas, as suspeitas persistem, sem descartar a prática do crime. O Ministério Público do Rio pediu anulação da denúncia em 2022, mas o histórico permanece sob escrutínio.

Nesta quarta-feira, 13 de maio de 2026, o site The Intercept Brasil divulgou áudios de Flávio pedindo dinheiro a Daniel Vorcaro, banqueiro controlador do Banco Master, liquidado pelo Banco Central em 2023. Nos diálogos, posteriores à descpberta dos problemas do banco e à suspeita de Vorcaro haver cometido crimes financeiros, o senador cobra repasses para o filme “Dark Horse”, sobre a eleição de Jair Bolsonaro em 2018. “Fico sem graça de te cobrar”, diz Flávio, expondo relação com criminoso conhecido a quem chama de “irmão”.

Daniel Vorcaro cumpre pena por formação de quadrilha e outros delitos, investigados após colapso do banco. Os áudios, de 2025, mostram Flávio cobrando R$ 61 milhões em parcelas atrasadas de um total de R$ 134 milhões. A proximidade com figuras criminosas reforça padrão iniciado 20 anos antes.

A pré-candidatura de Flávio Bolsonaro apoia-se sobretudo no peso do sobrenome que carrega, sendo filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por formação de quadrilha, liderança de organização criminosa e tentativa de golpe de Estado. Tal circunstância deveria provocar repulsa na sociedade, afinal, trata-se de um político com histórico de vínculos controversos que busca o Planalto amparado em uma figura já reprovada judicialmente.

O Metropolitano

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