Influenciador Hytalo Santos é preso em São Paulo acusado de exploração e exposição de menores

Caso mobiliza autoridades após denúncias de “adultização” de crianças, bloqueio das redes e busca e apreensão; entenda os fatos que antecederam a prisão

O influenciador digital Hytalo Santos, à direita com filtro e à esquerda na hora da prisão – Reprodução Redes Sociais
Luciano Meira

O influenciador paraibano Hytalo José Santos Silva, conhecido como Hytalo Santos, foi preso na manhã desta sexta-feira (15) em São Paulo, após ser alvo de uma investigação que chocou o país. Com mais de 17 milhões de seguidores no Instagram e outros milhões no YouTube e TikTok, Hytalo é acusado pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB) de exploração e exposição de menores nos conteúdos digitais que produzia e divulgava — prática que teria se intensificado ao longo dos últimos anos.Como começou o caso

A investigação contra Hytalo teve início em 2024, quando vizinhos do influenciador, em Bayeux, denunciaram movimentações incomuns em sua casa, apontando festas com adolescentes, consumo de bebidas alcoólicas e situações sugestivas de adultização — termo usado para descrever quando menores de idade são expostos a comportamentos ou contextos sexualizados precocemente. O Ministério Público abriu duas frentes de apuração: uma em Bayeux e outra em João Pessoa. Em ambas, relatos detalham que meninas e meninos, chamados por Hytalo de “filhas” e “genros”, eram rotineiramente envolvidos em gravações de vídeos para as redes sociais, alguns com conotação sexual ou explorando situações íntimas com adolescentes.

Denúncias públicas e desdobramentos

O caso ganhou repercussão nacional após o youtuber Felca, influenciador com mais de 4 milhões de inscritos, publicar vídeo denunciando suposta exploração e “adultização” de crianças por Hytalo Santos. A denúncia acelerou medidas judiciais: bloqueio das redes sociais de Hytalo, proibição de contato com vítimas, busca e apreensão em seus imóveis e desmonetização dos conteúdos digitais que envolviam menores. As autoridades apuram também se o influenciador teria incentivado a emancipação civil de adolescentes para facilitar contratos e relações comerciais com eles — prática ilícita que poderia configurar um esquema recorrente de obtenção de lucros com a participação de menores em seus vídeos.

Momentos que antecederam a prisão

Na terça-feira (12), a Justiça mandou bloquear as redes de Hytalo e proibir novos contatos com os adolescentes citados nos processos, além de ordenar busca e apreensão de celulares e computadores que poderiam conter provas do suposto esquema. Segundo o promotor João Arlindo Corrêa Neto, há relatos de meninas participando de vídeos retratando namoro e situações sensuais, fato confirmado por comentários e denúncias nas redes. Durante operação conjunta entre Polícia Civil de São Paulo, PRF e MPPB, Hytalo foi localizado em São Paulo e detido, junto com o marido, Israel Nata Vicente, para prestar esclarecimentos às autoridades.

Impacto e repercussão

A prisão do influenciador reacende debates sobre responsabilidade civil de criadores de conteúdo e proteção de crianças em plataformas digitais. Deputados federais, como Reimont (PT-RJ), pressionaram por ações mais duras contra Hytalo e alertaram para o risco de redes de exploração infantil na internet. A polícia segue investigando eventos celebrados pelo influenciador, como festas marcadas por ostentação e brindes de alto valor — práticas que, segundo denúncias, serviam de atrativo para engajar adolescentes.

O Metropolitano

Jornalismo profissional e de qualidade. Seu portal de notícias da Região Metropolitana de Belo Horizonte, de Minas Gerais, do Brasil e do Mundo.
Botão Voltar ao topo