PrEP injetável de longa duração contra HIV inicia venda no Brasil

Nova opção de prevenção oferece alternativa a comprimidos diários e promete melhorar adesão, mas preço elevado e falta no SUS ainda são desafios

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Luciano Meira

O Brasil deu início, em agosto de 2025, à comercialização da PrEP injetável de longa duração para prevenção do HIV, uma inovação aguardada que promete revolucionar a forma como pessoas em risco de infecção acessam métodos preventivos no país. A chegada do medicamento representa avanço importante na luta contra o vírus, mas enfrenta críticas pelo alto custo e pela ausência inicial na rede pública de saúde.

O que é a PrEP injetável

A Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) é hoje uma das principais estratégias para evitar o HIV entre grupos expostos ao risco, como homens que fazem sexo com homens, pessoas trans e indivíduos com múltiplos parceiros sexuais. O Apretude, nome comercial do cabotegravir, é um antirretroviral inibidor da integrase, enzima produzida pelo retrovírus do HIV. Até então, a única opção disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) era a PrEP oral, fornecida gratuitamente desde 2018, baseada na combinação de tenofovir e emtricitabina, exigindo uso diário do comprimido.

Com a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 2023, o antirretroviral cabotegravir passou a ser a primeira PrEP injetável de longa duração no país. A grande diferença, segundo especialistas, está na comodidade e no potencial de melhorar a adesão ao tratamento, uma vez que o esquema exige apenas uma injeção a cada dois meses após doses iniciais mais próximas.Estudos conduzidos no Brasil, como o ImPrEP CAB, com quase 1.500 participantes em seis capitais, apontam que o regime injetável apresenta taxas de adesão e cobertura superiores à PrEP oral entre jovens LGBTQIA+ e outras populações vulnerabilizadas. No estudo, a cobertura foi de 95% na modalidade injetável contra 58% na oral diária, ressaltando o potencial para superar dificuldades de manutenção do tratamento e ampliar o impacto da prevenção.

O esquema reduz o risco do esquecimento diário e da descontinuidade por estigma, problema recorrente nos serviços de saúde e que afeta a eficácia coletiva da estratégia.

Embora já aprovado e comercializado em estabelecimentos privados no Brasil, o cabotegravir chega com preço de tabela em torno de R$ 4.000 por dose, o que representa gasto elevado para a maioria da população e restringe seu alcance. Entidades como o UNAIDS têm pressionado laboratórios para reduzir os valores, destacando que o custo de produção poderia ser muito menor e alinhado ao de PrEP oral, que já é baixo em sua versão genérica.

A inclusão da PrEP injetável no SUS depende de avaliação do Ministério da Saúde e da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec) — um processo que, normalmente, pode levar vários meses. Enquanto isso, organizações e especialistas enfatizam que a inovação só terá pleno impacto se for acessível a toda a população em risco.

A chegada do cabotegravir representa um marco na política de prevenção ao HIV no Brasil, especialmente em um momento em que as taxas de novas infecções permanecem elevadas entre jovens e populações vulneráveis. Especialistas ressaltam que, apesar do avanço, o desafio agora é garantir que a tecnologia não seja privilégio de poucos e que mecanismos de negociação e produção local possam baratear o produto e viabilizar sua oferta no SUS — etapa considerada fundamental para a resposta nacional ao HIV.

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