Seminário debate tecnologias e parcerias para salvaguarda do patrimônio no Centro-Oeste

Encontro em Pompéu detalha uso de ferramentas digitais e pesquisas históricas na preservação de acervos regionais

Reprodução Instagram
Luciano Meira

O 1º Seminário Civilização & Cultura do Centro-Oeste Mineiro reuniu especialistas e autoridades nesta sexta-feira (27) para discutir estratégias de proteção ao patrimônio histórico estadual. Realizado no Centro Cultural de Pompéu e transmitido pelo Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais (IHGMG), o evento destacou a importância de ações preventivas e a integração de dados para o combate ao desaparecimento de bens culturais.

Foram 10 palestras ministradas durante todo o dia, com discussões e análises sobre a construção, diversidade cultural, políticas públicas e preservação da memória e do patrimônio material e imaterial. A seguir destacamos algumas das palestras:A analista do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), Andreia Lame Mendes Novais, apresentou as frentes de atuação da Coordenadoria de Patrimônio Cultural. Segundo Novais, o programa de ICMS Patrimônio Cultural é o principal indutor de preservação no estado, com 839 municípios pontuando atualmente. A arquiteta destacou que, em 2024, o repasse para conservação superou R$ 160 milhões, permitindo intervenções imediatas em imóveis degradados.

O Ministério Público detalhou o funcionamento do sistema “Sondar”, plataforma colaborativa que cataloga bens móveis e sacros desaparecidos. A ferramenta permite que o cidadão consulte o acervo e auxilie na identificação de peças em leilões ou coleções particulares. “A proteção eficaz do patrimônio exige a participação ativa da sociedade e o uso de instrumentos tecnológicos modernos”, afirmou a analista durante o painel.

A historiadora Ana Maria Nogueira Rezende abordou a relevância das pesquisas documentais para a reconstrução da identidade regional. Nogueira apresentou um levantamento sobre a formação urbana das cidades do Centro-Oeste, ressaltando que muitos registros históricos ainda carecem de inventários sistematizados. A pesquisadora enfatizou que a documentação é o primeiro passo para o reconhecimento legal de novos bens culturais e para o fortalecimento da memória coletiva.

A diversidade cultural da região foi tema da palestra de Cecília Silva, que contextualizou a presença de povos originários e comunidades tradicionais. Silva citou achados arqueológicos como urnas funerárias em Leandro Ferreira e Pitangui, além de canoas indígenas em Itaguara. A palestrante defendeu que a preservação deve incluir o patrimônio arqueológico e o imaterial, como as tradições das comunidades quilombolas presentes em Passatempo e Pompéu.

O presidente do Instituto Histórico de Pompéu e mediador do seminário, Hugo de Castro Machado, lembrou a origem do Centro Cultural Dona Joaquina. “O prédio atual é fruto de um TAC. A antiga sede da Fazenda do Laranjo foi desmontada e reconstruída para não ser inundada pela Usina Retiro Baixo. É um caso emblemático de preservação bem-sucedida”, explicou.

O arquivista do Instituto Histórico de Pitangui, Israel Almeida, apresentou o acervo jurídico-documental da cidade. “Temos registros desde o século XVIII. Projetos voluntários de educação patrimonial aproximam os jovens da história local e transformam o conhecimento acadêmico em engajamento social e turístico”, afirmou.

O capitão de congado e diretor de audiovisual, Black Dom, defendeu o uso da arte como ferramenta de resistência. “Com o projeto Filme de Bairro, registramos tradições quilombolas e de terreiro. É uma forma de combater o apagamento histórico e fortalecer a autoestima de comunidades invisibilizadas”, disse.

O papel das secretarias municipais na gestão desses recursos foi analisado por Mirley, secretária de Cultura de Pompéu. A gestora apresentou casos práticos de como a verba do ICMS Cultural é aplicada na manutenção de museus locais e na promoção de educação patrimonial nas escolas. Segundo ela, a continuidade das políticas públicas depende da formação de conselhos municipais técnicos e deliberativos atuantes.

O seminário encerrou-se com uma discussão sobre os desdobramentos econômicos da preservação histórica para o interior de Minas. Especialistas concordaram que o patrimônio conservado é um ativo para o turismo sustentável, gerando emprego e renda para as comunidades locais. O evento sinaliza uma nova etapa de cooperação técnica entre o Ministério Público, historiadores e as administrações municipais da região.

A valorização do Centro-Oeste mineiro passa pela integração entre a salvaguarda de monumentos e o reconhecimento de suas raízes diversas. A análise final do encontro apontou que a proteção dos acervos não é apenas um dever jurídico, mas um imperativo social para a manutenção da soberania cultural mineira. Novos seminários devem ocorrer para monitorar o avanço dos inventários e a eficácia das plataformas digitais de monitoramento.

O Metropolitano

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