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Vaticano alerta para ‘sombras do mal’ em tecnologias de IA

Segundo texto, inteligência artificial pode ampliar desigualdade

Luciano Meira – Agências

O Vaticano publicou nesta terça-feira (28) um documento em que alerta que a inteligência artificial contém a “sombra do mal” e arrisca ser usada para “ampliar desigualdades”.

O texto “Antiqua et nova [Antiga e nova]: Nota sobre a relação entre inteligência artificial e inteligência humana” aborda o impacto dessa tecnologia em vários campos, a partir de reflexões do papa Francisco nos últimos anos, e foi publicado pelos dicastérios para a Doutrina da Fé e para a Cultura e Educação.

“É necessário lembrar que a IA não é nada além de um pálido reflexo da humanidade, sendo produzida por mentes humanas, treinada a partir de material produzido por seres humanos, predisposta a estímulos humanos e apoiada pelo trabalho humano”, diz o documento, alertando que, ao buscar um “substituto para Deus”, o ser humano arrisca se tornar “escravo da própria obra”.

“Como qualquer produto da engenhosidade humana, a IA pode ser dirigida a fins positivos ou negativos. Quando é usada de maneiras que respeitam a dignidade humana e promovem o bem-estar, ela pode contribuir favoravelmente. No entanto, como em todos os âmbitos onde os seres humanos são chamados a decidir, aqui também se estende a sombra do mal”, ressalta o Vaticano.

Segundo o documento, a IA deveria ser utilizada “apenas como instrumento complementar da inteligência humana, e não para substituir sua riqueza”. Além disso, o texto alerta para o risco de a tecnologia ser usada para “prolongar situações de marginalização e discriminação, para criar novas formas de pobreza, para ampliar o abismo digital e agravar as desigualdades sociais”.

“Além disso, é sabido que os atuais programas de IA podem fornecer informações distorcidas ou fabricadas, induzindo estudantes a confiar em conteúdos inexatos. Deste modo, existe o risco não apenas de legitimar fake news ou fortalecer a vantagem de uma cultura dominante, mas também de minar o processo educativo”, aponta o documento.

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