Governo federal reconhece emergência em Porteirinha após risco de rompimento de barragem das Lajes
Chuvas intensas provocam rompimento parcial de estrutura, evacuação de comunidades rurais, interdição de pontes e mobilização de Defesa Civil e Ministério da Integração no Norte de Minas

Luciano Meira
A cidade de Porteirinha, no Norte de Minas Gerais, vive uma situação de emergência desde o fim de semana, após fortes chuvas provocarem o rompimento parcial da barragem do Rio Lajes, desencadeando alertas máximos de evacuação, interdição de pontes e o reconhecimento oficial de emergência pelo governo federal, que abre caminho para envio de recursos e ações emergenciais na região.
Como começou a crise na Barragem das Lajes
Entre a noite de sábado (28) e a madrugada de domingo (1º), o reservatório da Barragem das Lajes transbordou em Porteirinha em razão das chuvas volumosas que atingiram o Norte de Minas, elevando rapidamente o nível dos cursos d’água da região. Segundo o Corpo de Bombeiros, houve transbordamento, mas, naquele primeiro momento, não se confirmou rompimento total da estrutura.
Na manhã de domingo, por volta das 8h, a situação se agravou com o rompimento parcial da barragem, em área próxima ao sangradouro, o que levou a prefeitura a emitir um “alerta máximo” e ordenar a evacuação de áreas baixas situadas a jusante do reservatório. O município informou que comunidades rurais como Lajes, Barreiro, Rio Pequeno, Barroca, Mocambo dos Bois, Biquinha, Pedra Ladeira e Olhos d’Água de Cima estavam na faixa de risco e deveriam ser imediatamente deslocadas para locais seguros.
Alerta extremo e evacuação de moradores
Com o avanço do problema, moradores próximos à barragem passaram a receber, nos celulares, um “alerta extremo” para o risco de rompimento da estrutura, determinando a evacuação imediata das áreas consideradas de risco. A mensagem reforçava a orientação para que a população não permanecesse em margens de rios, barragens ou áreas alagadas, e buscasse abrigo em pontos altos e seguros.
Equipes da Defesa Civil municipal e estadual foram mobilizadas, acompanhadas pelo Corpo de Bombeiros, para mapear a chamada “mancha de inundação” e retirar pessoas que ainda permaneciam na zona de possível alagamento. Segundo o tenente Paulo Henrique, dos Bombeiros, o nível da água na barragem começou a baixar ao longo do dia e não havia mais pessoas ilhadas após as ações de evacuação, embora o risco estrutural ainda exigisse monitoramento contínuo.
Interdição de pontes e impacto na mobilidade
Paralelamente ao risco na barragem, a prefeitura de Porteirinha decidiu interditar todas as pontes e passagens molhadas do município, alegando que o nível da água superou o limite seguro para o tráfego e colocava em risco motoristas e pedestres. De acordo com o Executivo municipal, a única travessia considerada segura permanece sendo a ponte principal, localizada na avenida Dalton Cunha, que concentra o fluxo entre diferentes regiões da cidade.
Em comunicados nas redes sociais, a administração reforçou pedidos para que moradores não tentassem atravessar trechos bloqueados, ressaltando que a prioridade, neste momento, é preservar vidas. O Corpo de Bombeiros relatou ainda que o transbordamento da barragem chegou a deixar pessoas ilhadas no povoado de Lajes antes da normalização gradual do nível da água, episódio que reforçou a necessidade de bloqueios preventivos nas vias.
Reconhecimento de emergência pelo governo federal
Diante do cenário de risco e dos danos já constatados no vertedouro e no talude da barragem, o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) reconheceu, de forma sumária, a situação de emergência em Porteirinha neste domingo (1º). A medida será formalizada em portaria publicada em edição extra do Diário Oficial da União e permite ao município solicitar recursos federais para ações de assistência humanitária, atendimento a desabrigados e intervenção emergencial na estrutura da barragem.
O reconhecimento também insere o caso no radar do Grupo Federal de Segurança de Barragens, que reúne a Defesa Civil Nacional, agências fiscalizadoras e órgãos estaduais e municipais para monitorar a evolução do quadro. Representantes da Defesa Civil Nacional se reuniram com o prefeito Silvanei Batista e autoridades de cidades vizinhas para orientar procedimentos de reconhecimento de danos, envio de pedidos de recursos e elaboração de planos de trabalho voltados à recuperação da área atingida.
Risco estrutural, monitoramento e próximos passos
Laudo preliminar do Corpo de Bombeiros aponta danos no vertedouro da barragem e erosões no talude, situação típica de estruturas pressionadas por volume de água acima do padrão em períodos de chuva intensa. O prefeito Silvanei Batista declarou que a barragem ainda corre risco de rompimento total e pediu apoio dos governos federal e estadual para evitar um colapso que poderia provocar inundação em série nas comunidades rurais localizadas abaixo do reservatório.
Enquanto equipes técnicas avaliam o estado da estrutura, o município mantém os alertas de evacuação nas áreas de risco, a interdição de pontes e passagens molhadas e o monitoramento do regime de chuvas na bacia do Rio Lajes. A orientação oficial segue sendo para que moradores acompanhem apenas informações de canais institucionais e evitem se aproximar de margens de rios, barragens ou pontos de alagamento, até que haja garantia de estabilidade da barragem e recuo sustentado dos níveis de água.
