Copasa é privatizada em operação de R$ 8,3 bilhões na Bolsa; Equatorial assume posição de maior acionista
Venda de ações reduz participação do governo de Minas a 5% e marca uma das maiores privatizações do setor de saneamento no país

Luciano Meira
A Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) foi privatizada por meio de uma oferta de ações na B3, a Bolsa de Valores de São Paulo, que movimentou cerca de R$ 8,3 bilhões. A operação concluiu o processo de transferência do controle da empresa para a iniciativa privada e se tornou a segunda maior privatização do setor de saneamento realizada no mercado de capitais brasileiro, atrás apenas da desestatização da Sabesp, em 2024.
A venda ocorreu por meio de uma oferta secundária de ações detidas pelo Governo de Minas Gerais. Antes da operação, o Estado possuía aproximadamente 50% do capital da companhia. Com a conclusão do processo, a participação foi reduzida para 5%, percentual que garante ao governo uma ação especial, conhecida como golden share, com poder de veto em decisões consideradas estratégicas para a empresa.
A principal compradora foi a empresa Equatorial Energia, que adquiriu cerca de 30% da Copasa por aproximadamente R$ 5,6 bilhões e passou a ser a maior acionista individual da companhia. A empresa já havia ampliado sua atuação no setor de saneamento ao participar da estrutura acionária da Sabesp após a privatização da companhia paulista.
O preço de venda das ações foi fixado em R$ 49,03 por papel. Segundo informações do mercado financeiro, a procura pelos ativos superou amplamente a oferta disponível, com demanda superior a R$ 70 bilhões por parte de investidores institucionais nacionais e estrangeiros. O lote adicional previsto na operação não foi vendido, permitindo que o governo mineiro mantivesse participação residual na empresa.
A privatização da Copasa foi viabilizada após a aprovação, pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais, de mudanças constitucionais e legislativas que retiraram a exigência de referendo popular para a venda da companhia. O processo integrou a estratégia do governo estadual de reduzir sua participação em empresas públicas e obter recursos para o ajuste das contas estaduais e para compromissos relacionados ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag).
Criada em 1974, a Copasa atende cerca de 12 milhões de pessoas e é responsável pelos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário em grande parte dos municípios mineiros. A empresa ocupa posição estratégica na infraestrutura do estado e vinha sendo alvo de debates sobre privatização desde o início da gestão do governador Romeu Zema.
Defensores da operação argumentam que a entrada do capital privado poderá ampliar a capacidade de investimentos e acelerar o cumprimento das metas de universalização dos serviços de água e esgoto previstas no Marco Legal do Saneamento. A Equatorial afirmou que pretende alcançar a universalização do atendimento até 2033 e assumiu compromissos de longo prazo relacionados à expansão da infraestrutura.
Já entidades sindicais, movimentos sociais e parlamentares de oposição criticaram a privatização durante sua tramitação, alegando risco de aumento tarifário e perda de controle público sobre um serviço considerado essencial. Os críticos também questionaram a necessidade da venda e os impactos para municípios atendidos pela companhia.
Com a conclusão da operação, a Copasa passa a integrar o grupo de empresas de saneamento que migraram para o controle privado após a aprovação do novo marco regulatório do setor. O desempenho da companhia nos próximos anos será acompanhado pelo mercado e por órgãos reguladores, especialmente em relação às metas de expansão do serviço, qualidade do atendimento e volume de investimentos prometidos.


