EUA e Israel intensificam ataques aéreos contra Irã, morte do líder supremo Khamenei é motivo de apreensão segundo especialistas

Operações coordenadas deixam centenas de mortos e atingem alvos nucleares em Teerã; retaliação iraniana atinge bases americanas, enquanto analistas debatem colapso do regime teocrático ou risco de radicalização xiita

Pessoas marcham após o Líder Supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, ter sido morto em ataques de Israel e dos EUA, em Basra, Iraque, em 1º de março de 2026. – Reprodução Redes Sociais
Luciano Meira

Desde sábado (28 de fevereiro), Estados Unidos e Israel lançaram uma série de ataques aéreos massivos contra o Irã, sob codinomes como “Leão Rugidor”, “Escudo de Judá” e “Fúria Épica”, resultando em pelo menos 555 mortos segundo mídia iraniana, incluindo o líder supremo Ali Khamenei, chefes militares e danos a instalações nucleares como Natanz, em meio a retaliações iranianas com mísseis contra Israel e bases dos EUA no Oriente Médio.

Cronologia dos ataques iniciais

Os bombardeios começaram na madrugada de 28 de fevereiro, com Israel mobilizando cerca de 200 caças da Força Aérea Israelense (IAF) para atingir 500 alvos militares no oeste e centro do Irã, incluindo defesas aéreas e lançadores de mísseis, em sua maior surtida de combate histórica. Os EUA confirmaram dezenas de ataques com aviões de porta-aviões e bases regionais, coordenados para destruir infraestrutura nuclear e de mísseis, com o presidente Donald Trump declarando o objetivo de “obliterar” essas capacidades.Explosões foram registradas em Teerã, Sanandaj e outras cidades, com o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu justificando a ação como eliminação de “ameaça existencial” do regime iraniano, visando criar condições para uma mudança política no país. A mídia estatal iraniana confirmou a morte de Khamenei nos ataques iniciais, evento descrito como “sísmico” na história do regime teocrático fundado em 1979.

Retaliação iraniana e escalada do conflito

Em resposta, o Irã lançou mísseis e drones contra Israel, acionando sirenes em todo o território, e atacou bases americanas em Bahrein, Kuwait, Catar, Emirados Árabes, Iraque e Jordânia. A Guarda Revolucionária prometeu continuar a retaliação “até a derrota decisiva do inimigo”, ameaçando todos os interesses americanos na região.

No domingo (1º) e nesta segunda-feira (2), novas ondas de ataques EUA-Israel atingiram centros de comando em Teerã e posições de mísseis, enquanto o Irã elevou alertas em países do Golfo e fortificou instalações nucleares com apoio de exercícios conjuntos com Rússia e China. O Irã alega haver atingido nesta segunda-feira o gabinete do primeiro ministro israelense Benjamin Netanyahu em Israel, mas ainda não há confirmação oficial. O conflito já mobiliza dezenas de aeronaves americanas na Europa e Israel, com Trump alertando para uma campanha que pode durar dias.

Análises sobre a morte de Khamenei e futuro do regime

A eliminação de Ali Khamenei, sucessor de Khomeini e figura central do regime xiita há 35 anos, abriu debates sobre seu impacto: um conselho temporário foi nomeado em Teerã, mas analistas divergem se isso colapsará a teocracia ou a fortalecerá. Especialistas apontam que é cedo para falar em colapso, dada a estrutura político-institucional construída no país persa nas últimas quatro décadas que é robusta e organizada de forma horizontal, o que lhe confere capacidade de resistir mesmo a abalos significativos.

Por outro lado, a doutrina xiita do martírio pode transformar Khamenei em símbolo sagrado, um mártir, inflamando grupos radicais muçulmanos globalmente e gerando “ondas de radicalismo” em comunidades xiitas na Europa e Oriente Médio, sem necessariamente unir xiitas e sunitas em um bloco monolítico. O presidente iraniano classificou a morte como “declaração de guerra contra o Islã”, elevando temores de escalada prolongada.

O Metropolitano

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