BTG/Nexus confirma pesquisa Quaest: Flávio Bolsonaro é o mais rejeitado
Senador mantém apoio do eleitorado bolsonarista, mas enfrenta resistência entre eleitores moderados e segue atrás de Lula em todos os cenários

Luciano Meira
A nova pesquisa BTG Pactual/Nexus divulgada nesta segunda-feira (15) reforça dados já apontados pela pesquisa Genial/Quaest divulgada na semana passada: a principal dificuldade da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) não está só na disputa pela liderança da direita, mas na elevada rejeição que seu nome encontra fora do núcleo bolsonarista.
Embora apareça consolidado como principal representante eleitoral da família Bolsonaro e supostamente da direita, para a disputa presidencial de 2026, o senador continua sem conseguir ampliar significativamente sua base de apoio. Na pesquisa Nexus, Flávio registra 33% das intenções de voto no principal cenário de primeiro turno, contra 42% de Lula. Em eventual segundo turno, alcança 43%, seis pontos atrás do presidente, que soma 49%.

Fonte: Pesquisa BTG Pactual/Nexus, realizada entre os dias 12 a 14 de junho de 2026. Registrada no TSE BR-06645/2026. Margem de erro: ±2 pontos percentuais.
O resultado dialoga diretamente com o levantamento Genial/Quaest divulgado na semana passada, que identificou Flávio Bolsonaro como o nome com maior índice de rejeição entre os potenciais candidatos ao Palácio do Planalto. Segundo a pesquisa, o senador era rejeitado por mais da metade do eleitorado, superando os índices registrados por governadores como Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD).
Para analistas políticos, os números indicam que Flávio herda não apenas o capital eleitoral do ex-presidente Jair Bolsonaro, mas também a rejeição associada ao sobrenome que domina a direita brasileira há quase uma década.
Os dados da própria Nexus ajudam a explicar essa dificuldade. Embora Flávio mantenha forte desempenho entre eleitores evangélicos e entre os segmentos identificados como bolsonaristas convictos, ele encontra maiores obstáculos para crescer entre mulheres, eleitores sem alinhamento ideológico definido e setores que rejeitam simultaneamente Lula e Bolsonaro.
A pesquisa mostra ainda que Lula vence todos os cenários de segundo turno testados pelo instituto, inclusive contra adversários menos polarizadores. Contra Flávio Bolsonaro, a diferença é de seis pontos. Já diante de Romeu Zema e Ronaldo Caiado, candidatos que apresentam índices de rejeição historicamente menores, Lula também mantém vantagem.
Nos bastidores da direita, a combinação entre alta rejeição e dificuldade de crescimento fora da base bolsonarista tem alimentado o debate sobre a viabilidade eleitoral do senador. Embora lidere com folga o campo conservador, dirigentes partidários admitem reservadamente que a eleição presidencial tende a ser decidida justamente entre os eleitores que hoje demonstram maior resistência ao nome Bolsonaro.
A convergência entre os levantamentos da Quaest e da Nexus sugere que o desafio de Flávio Bolsonaro para 2026 não será apenas manter unido o eleitorado da direita. Será, principalmente, reduzir a rejeição que limita sua capacidade de conquistar votos além do núcleo mais fiel do bolsonarismo.


