Fiscais do BC de Campos Neto viram alvos de prisão na era Galípolo
Ex-diretores Paulo Sérgio e Belline, afastados por Galípolo, atuavam como "consultores privados" de Vorcaro durante gestão bolsonarista; Zettel, doador de Bolsonaro, pagava as propinas

Luciano Meira
Na terceira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quarta-feira (4) pela Polícia Federal com aval do ministro André Mendonça (STF), ex-diretores do Banco Central indicados na gestão Roberto Campos Neto tornaram-se alvos de medidas cautelares por suposta corrupção em favor do Banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Paulo Sérgio Neves de Souza (ex-diretor de Fiscalização, 2019-2023) e Belline Santana (ex-chefe do DeSup) tiveram cargos afastados judicialmente – decisão similar à interna já tomada pelo atual presidente do BC, Gabriel Galípolo, após sindicância aberta em janeiro.
Relações ilícitas sob a gestão Campos Neto
Chats de WhatsApp revelam que, durante a presidência bolsonarista de Campos Neto (2019-2022), Paulo Sérgio e Belline atuavam como “consultores privados” de Vorcaro: revisavam ofícios do Master antes de enviá-los ao BC, davam dicas em reuniões e alertavam sobre fiscalizações, enquanto recebiam propinas operacionalizadas por Fabiano Campos Zettel, cunhado de Vorcaro e preso hoje. Zettel, pastor evangélico e maior doador individual de Jair Bolsonaro (R$ 3 mi) e Tarcísio de Freitas (R$ 2 mi) em 2022, cobrava via mensagens: “Belline cobrando. Paga? Claro”, com lavagem por empresas como Varajo Consultoria.
Galípolo, empossado em janeiro de 2025 pelo governo Lula, afastou os dois após apurações internas sobre a liquidação do Master (novembro de 2025, rombo de R$ 40 bi coberto pelo FGC), determinando descomissionamento para preservar imparcialidade.
Núcleo de corrupção e obstrução revelado hoje
Mendonça decretou prisões de Vorcaro, Zettel, Felipe Mouro (“sicário”) e Marilson Roseno (PF aposentado), além de buscas em 15 endereços em SP e MG, com bloqueio de R$ 22 bi em bens. A PF aponta quatro núcleos criminosos no Master: financeiro (CDBs falsos), corrupção (compra de fiscais), lavagem (empresas interpostas) e intimidação (“Turma”, com hacks na PF/MPF).
Vorcaro ordenava via Zettel pagamentos mensais de R$ 1 mi à “Turma” para ameaças violentas a jornalistas e ex-funcionários, enquanto fiscais do BC sob Campos Neto facilitavam.
