Daniel Vorcaro de cabelo cortado, sem barba e uniforme é transferido para Penitenciária de Potim no interior de SP
Banqueiro do caso Master, preso em nova operação da PF, chega à Penitenciária 2 após passagem por CDP; prisão preventiva visa impedir fuga e obstrução

Luciano Meira
Daniel Vorcaro, réu central no escândalo do Banco Master, foi transferido na manhã desta quinta-feira (5) para a Penitenciária 2 de Potim, interior de São Paulo, após noite no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Guarulhos, onde cortou o cabelo e vestiu o uniforme caque dos presos do estado paulista. O deslocamento de cerca de 150 km ocorreu em caminhonete da Secretaria de Administração Penitenciária (SAP), com chegada confirmada por volta das 9h, e ele inicia em cela de isolamento por dez dias, em presídio de segurança máxima com vagas ociosas que abriga detentos como Sérgio Nahas.
A prisão preventiva, decretada pelo ministro André Mendonça (STF) em sua primeira ação como relator do inquérito, ocorreu na quarta-feira (4) em São Paulo, durante tentativa de fuga em jatinho particular para os EUA, na fase 4 da Operação Compliance Zero da PF, que mira fraudes bilionárias, lavagem e milícia armada para ameaças. Seu cunhado Fabiano Zettel também foi detido e segue para o mesmo local; a defesa contesta a medida e busca habeas corpus no STF.
O Banco Master, liquidado pelo Banco Central em 2025, causou rombo de R$ 40 bilhões ao FGC com títulos falsos, empréstimos fictícios e ativos inflados em fundos ligados ao crime organizado, como Reag DTVM (PCC), retornando bilhões a Vorcaro via empresas laranjas. Investigadores revelaram “milícia” de Luiz Phillipi, vulgo Sicário, paga R$ 1 mi/mês para espionagem cibernética, vazamentos sigilosos do BC e PF, e propinas aos servidores do BC Paulo Sérgio e Belline Santana.
Vorcaro, solto em novembro de 2025, ocultou R$ 2,2 bilhões em contas do pai e firmas offshore, com contatos políticos como Ciro Nogueira (PP) e mensagens sobre emendas; Mendonça destacou risco de obstrução em “alto escalão”. O caso expõe vulnerabilidades no sistema financeiro e ostentação do banqueiro, com jatos e patrimônio no exterior.
