Mojtaba Khamenei é escolhido como novo guia supremo do Irã
Assembleia de Especialistas nomeia filho de Ali Khamenei, morto em bombardeio; clérigo de 56 anos, linha-dura, assume comando das Forças Armadas e herda poder absoluto em momento de escalada de conflitos no Oriente Médio

Luciano Meira
A Assembleia de Especialistas do Irã, composta por 88 clérigos, anunciou neste domingo (8) a escolha de Mojtaba Khamenei como novo líder supremo da República Islâmica, sucedendo seu pai, o aiatolá Ali Khamenei, morto em um bombardeio americano-israelense em 28 de fevereiro. A nomeação ocorre nove dias após o início de um conflito regional ampliado, com trocas de ataques entre Irã, Israel e forças dos EUA, e foi confirmada pela TV estatal iraniana, convocando o povo à unidade e lealdade ao novo guia. Com isso, Mojtaba, de 56 anos, assume autoridade máxima sobre política, religião e as Forças Armadas, incluindo a poderosa Guarda Revolucionária Islâmica.
Contexto da sucessão em meio à guerra
Ali Khamenei, que liderava o Irã desde 1989 após a morte do aiatolá Ruhollah Khomeini, foi morto em um ataque que também vitimou familiares próximos, como sua esposa, filha e genro, em Teerã. A Assembleia de Especialistas, órgão constitucional responsável por eleger o líder supremo, acelerou o processo em resposta à crise, com relatos de consenso interno apesar de objeções sobre tornar Mojtaba um alvo militar para Israel e EUA.
O anúncio reforça a continuidade do regime teocrático, com líderes como o presidente do Parlamento e o chefe de segurança iranianos saudando a escolha como cumprimento de um “dever religioso e nacional” em condições sensíveis. Israel já sinalizou que o novo guia será “um alvo”, enquanto o presidente americano Donald Trump criticou publicamente a possibilidade.
Quem é Mojtaba Khamenei
Nascido em 1969, Mojtaba é o segundo filho de Ali Khamenei e foi educado em Qom, principal centro teológico xiita do Irã, onde estudou com figuras como seu pai e Mahmoud Hashemi Shahroudi, ex-chefe da Justiça. Apesar de sua posição clerical intermediária, nunca ocupou cargo governamental eleito ou executivo formal, preferindo atuar nos bastidores com influência sobre a Guarda Revolucionária e redes empresariais ligadas à segurança.
A imprensa internacional descreve-o como uma figura linha-dura, com laços profundos com as forças de segurança e oposição a reformistas que defendem diálogo com o Ocidente ou limitação do programa nuclear iraniano. Participou da guerra Irã-Iraque nos anos 1980 como voluntário, consolidando sua imagem militar, e é visto como “guardião” do pai, coordenando operações de segurança sem visibilidade pública — sua última aparição foi em um comício pró-governo.
Embora cotado como sucessor há anos, seu perfil opaco gera controvérsias: analistas ocidentais o acusam de corrupção e repressão a protestos por liberdades, enquanto no Irã ele representa a vitória dos conservadores em um momento de instabilidade. A mídia iraniana estatal enfatiza sua “prudência” para coordenar guerra e defesa, mas opositores preveem reações populares contra a dinastia Khamenei.
Implicações para o Irã e o mundo
Como líder supremo, Mojtaba herda controle sobre relações exteriores, programa nuclear e estratégia militar, podendo endurecer a postura iraniana em meio à guerra que já ampliou tensões no Oriente Médio. A escolha sinaliza fortalecimento dos hardliners, com apoio da Guarda Revolucionária, mas pode enfrentar resistência interna de quem clama por reformas apesar de repressões passadas.
Para o Ocidente, o novo guia reforça temores sobre um Irã nuclear e agressivo, com EUA e Israel prometendo vigilância máxima. No Brasil e no mundo, a transição é acompanhada de perto por impactos em energia, comércio e estabilidade global.
