Com 17% de intenção de votos, Zema segue como coadjuvante na disputa eleitoral após crise de áudios
Resultados mantêm ex-governador mineiro em posição secundária na disputa presidencial, sem capitalizar desgaste da oposição

Luciano Meira
O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) mantém um desempenho eleitoral estabilizado em patamares secundários, segundo dados agregados da mais recente pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada hoje. Os resultados mostram que o político mineiro não conseguiu expandir suas intenções de voto, mesmo após a repercussão pública de áudios envolvendo aliados e de sua tentativa de criar um fato político na internet.
No cenário mais amplo do primeiro turno (Cenário 1), Zema aparece com 5,2% das intenções de voto. Em um segundo arranjo sem a presença de outros nomes da direita (Cenário 2), o ex-governador atinge seu teto, com 17,0% da preferência dos entrevistados. Quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva é incluído diretamente na disputa (Cenário 3), o percentual de Zema fixa-se em 10,0%.
Em uma simulação de primeiro turno contra o ministro Fernando Haddad, o pré-candidato do Novo pontua 5,5%. Em um eventual segundo turno contra o atual presidente, Lula lidera com 47,8% das intenções de voto, contra 37,6% de Romeu Zema. Votos brancos, nulos e eleitores indecisos somam 14,6% nesse cenário.
Antecedentes e rejeição
A estagnação do ex-governador ocorre em meio a desdobramentos políticos recentes na oposição. Na última semana, a divulgação de áudios em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparece pedindo dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro gerou desgaste no núcleo da direita. Zema utilizou suas redes sociais para criticar o parlamentar fluminense e tentar capturar o eleitorado insatisfeito, mas a estratégia não se refletiu em crescimento numérico.
Especialistas apontam que o teto do candidato está associado ao seu índice de rejeição. De acordo com o levantamento da Atlas/Bloomberg, 42,2% dos eleitores afirmam que não votariam em Zema “de jeito nenhum”.
“O eleitorado de oposição demonstra uma consolidação que Zema não consegue romper apenas com o discurso da pureza administrativa”, afirma o cientista político e professor da Universidade de São Paulo (USP), João Paulo Nicolini. Segundo o especialista, o posicionamento digital do político não foi suficiente para transformá-lo em alternativa viável ao espólio tradicional da direita.
Impacto político e eleitoral
Os dados consolidados indicam que Romeu Zema permanece como um coadjuvante na corrida sucessória. O recuo de suas investidas e a manutenção de índices modestos nos cenários pulverizados reduzem seu poder de barganha em futuras coalizões partidárias.
Politicamente, o isolamento do Novo e a alta rejeição de seu principal nome limitam a capacidade de atração de partidos de centro, consolidando a polarização entre as forças políticas tradicionais e empurrando o ex-governador para a margem do debate presidencial.
