Na caçamba sobe quem quiser, mas na cabine escolho eu: Novo e Simões expõem pragmatismo eleitoral
Presidente do partido em Minas insiste na vaga de vice na chapa de Simões, enquanto evento com Zema reforça leitura de conveniência política e enfraquece discurso de coerência

Luciano Meira
A movimentação do Novo em Minas Gerais e de Mateus Simões (PSD), voltou a expor uma lógica política marcada mais pela conveniência eleitoral do que por coerência partidária. Ao mesmo tempo em que a legenda reforça publicamente o apoio a Romeu Zema, seu diretório estadual insiste na tentativa de garantir espaço na chapa de Simões, numa combinação que alimenta críticas sobre o abandono da fidelidade partidária em nome de ganhos imediatos de palanque, afinal o PSD de Simões tem Ronaldo Caiado como pré-candidato a presidente.
O presidente do Novo em Minas, Christopher Laguna, afirmou que o partido continua “brigando” pela vaga de vice na composição de Simões, o que escancara a disputa por protagonismo dentro de uma aliança em que cada ator parece mirar o próprio interesse eleitoral. A fala reforça a percepção de que o partido opera como peça de negociação, e não como força movida por identidade programática consistente, no melhor estilo na caçamba sobe quem quiser, mas na cabine escolho eu.
Pragmatismo acima de coerência
A presença de Simões em evento do Novo, com reforço explícito ao palanque de Zema, amplia a leitura de que a prioridade do grupo é montar uma engenharia eleitoral capaz de beneficiar seus principais nomes, ainda que à custa de qualquer compromisso mais sólido com lealdade política. O resultado é um arranjo que parece colocar a conveniência acima da transparência.
Esse tipo de articulação enfraquece o discurso de fidelidade partidária porque transforma apoio em moeda de troca e palco em instrumento de barganha. Em vez de sinalizar alinhamento ideológico claro, a costura entre Novo, Zema e Simões projeta uma imagem de oportunismo que tende a cobrar preço na credibilidade pública dos envolvidos, que parece estarem agindo pela manutenção de eventuais benefícios vindos da máquina pública estadual.
Sinal ruim para o eleitor
Do ponto de vista político, a cena é ruim para o eleitor porque normaliza a ideia de que alianças podem ser montadas e desmontadas conforme a utilidade eleitoral do momento. Quando um partido insiste em defender publicamente um nome enquanto negocia espaço em outra chapa, o recado transmitido é de que princípios e identidade valem menos do que a ocupação de cargos.
No caso de Simões, a estratégia de ampliar apoios e manter o Novo orbitando sua pré-campanha reforça um estilo de articulação que aposta no acúmulo de forças, mesmo ao custo de diluir fronteiras entre projeto político e conveniência. Para Zema, o efeito é semelhante: sua presença no centro dessas costuras consolida protagonismo, mas também o associa a uma dinâmica de composição que pouco contribui para a clareza do debate eleitoral.
Leitura política
A disputa pela vice na chapa de Simões não é um detalhe de bastidor. Ela é parte de uma engenharia mais ampla, na qual o Novo tenta preservar espaço, Simões busca ampliar sua competitividade e Zema continua sendo usado como ativo eleitoral relevante.
O problema é que, nesse processo, a coerência partidária fica em segundo plano e a lógica da conveniência passa a dominar a narrativa. Para a disputa de 2026, o episódio deixa uma marca incômoda: a de que a prioridade de Zema e de Simões não é defender um projeto político consistente, mas garantir presença no tabuleiro, custe o que custar.
