Zema segue estagnado e perde espaço até como possível vice de Flávio Bolsonaro
Pesquisa mostra desempenho discreto do ex-governador mineiro em meio a crise com o PL

Luciano Meira
A nova pesquisa BTG Pactual/Nexus reforça as dificuldades enfrentadas pelo ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) para transformar visibilidade política em intenção de voto. Apesar da presença frequente nas redes sociais e das críticas ao governo Lula e ao grupo Bolsonaro, o pré-candidato segue em patamares reduzidos nas simulações para a eleição presidencial de 2026.
Nos dois cenários estimulados de primeiro turno testados pelo instituto, Zema registra apenas 2% e 3% das intenções de voto. Em eventual segundo turno contra Lula, alcança 39%, dez pontos atrás do presidente, que soma 49%.

Fonte: Pesquisa BTG Pactual/Nexus, realizada entre os dias 12 a 14 de junho de 2026. Registrada no TSE BR-06645/2026. Margem de erro: ±2 pontos percentuais.
Os números contrastam com a estratégia adotada pelo ex-governador nos últimos meses, marcada por declarações de forte repercussão política e presença constante nas plataformas digitais. Mesmo assim, sua candidatura não conseguiu avançar além da margem de erro das pesquisas.
O cenário também se tornou mais complexo dentro do campo conservador. Até recentemente, aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro tratavam Zema como um possível nome para compor uma chapa presidencial encabeçada por Flávio Bolsonaro. A hipótese, porém, perdeu força após o agravamento das tensões entre o Novo e o PL.
A crise ganhou novo capítulo nos últimos dias, quando o ex-deputado Eduardo Bolsonaro defendeu publicamente o rompimento das alianças entre os dois partidos. A reação ocorreu após novas críticas feitas por Zema a Flávio Bolsonaro envolvendo a relação do senador com o banqueiro Daniel Vorcaro, personagem central da crise do Banco Master.
Em publicação nas redes sociais, Eduardo Bolsonaro afirmou que o PL deveria “romper geral” com o Novo. Segundo ele, Zema estaria atacando Flávio Bolsonaro por ambições eleitorais próprias. O episódio expôs uma divisão cada vez mais visível entre os grupos que disputam a liderança da direita para 2026.
Nesse contexto, o desempenho eleitoral modesto de Zema reduz sua capacidade de negociação. Com apenas 2% a 3% das intenções de voto nos cenários nacionais, o ex-governador passa a enfrentar não apenas a dificuldade de viabilizar uma candidatura própria, mas também obstáculos para ocupar espaço relevante numa eventual composição liderada pelo PL.


