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Vereador aponta descumprimento de decisão do TCE sobre cirurgias na FHEMIG

Relatório afirma que rede estadual não atingiu meta criada após fechamento do Hospital Maria Amélia Lins

Vereador Bruno Pedralva (PT) – Foto: Abraão Bruck/ CMBH

Luciano Meira

O vereador Bruno Pedralva (PT), denunciou o descumprimento de uma determinação do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) que obrigava a Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (FHEMIG) a garantir a realização mínima de 300 cirurgias ortopédicas mensais para compensar a redução de atendimentos provocada pelo fechamento do Hospital Maria Amélia Lins (HMAL). A denúncia foi formalizada em relatório da Comissão de Saúde e Saneamento da Câmara Municipal de Belo Horizonte.

A acusação tem como base visitas técnicas realizadas entre maio e junho de 2026 nos hospitais Cristiano Machado, Júlia Kubitschek e João XXIII, unidades indicadas pelo governo estadual para absorver parte da demanda anteriormente atendida pelo HMAL. As inspeções contaram com a participação de conselhos de saúde e entidades representativas dos trabalhadores da área.

Segundo o relatório, o Hospital Cristiano Machado não realizou cirurgias ortopédicas no período analisado. O Hospital Júlia Kubitschek registrou até 155 procedimentos, pouco mais da metade da meta estabelecida pelo TCE. Já o Hospital João XXIII não informou oficialmente à comissão o número de cirurgias realizadas. Para o vereador, os dados demonstram que a decisão do tribunal não vem sendo cumprida.

A denúncia ocorre em um contexto de disputa em torno do fechamento do Hospital Maria Amélia Lins, unidade tradicionalmente voltada para atendimentos ortopédicos em Belo Horizonte. Em 2025, o TCE-MG determinou a abertura de seis salas cirúrgicas na rede estadual e fixou a meta mínima de 300 cirurgias mensais como forma de compensar a interrupção das atividades do hospital. A medida foi tomada após auditorias apontarem queda na oferta de procedimentos e aumento da pressão sobre outras unidades da FHEMIG.

Relatórios técnicos do próprio tribunal já haviam identificado redução de 8,26% no número de cirurgias realizadas entre janeiro e maio de 2025 em comparação com o mesmo período do ano anterior. O TCE concluiu que a absorção da demanda pelo Hospital João XXIII não ocorreu nos níveis projetados pela administração estadual.

Os números apresentados por Bruno Pedralva reforçam esse diagnóstico. De acordo com o levantamento, o HMAL e o Hospital João XXIII realizaram juntos 12.696 cirurgias em 2024. Em 2025, já sem o funcionamento do HMAL, o total caiu para 11.501 procedimentos, redução de 1.195 cirurgias.

A análise mensal mostra que a produção cirúrgica do João XXIII superou os números combinados das duas unidades apenas nos quatro primeiros meses de 2025. A partir de maio, os resultados passaram a ficar abaixo dos registrados no ano anterior. O maior recuo ocorreu em julho, quando foram realizadas 359 cirurgias a menos que no mesmo mês de 2024.

Os dados preliminares de 2026 indicam que a redução permanece. Em maio deste ano, o João XXIII realizou 1.020 cirurgias, volume 191 procedimentos inferior ao total executado conjuntamente pelo HMAL e pelo próprio João XXIII em maio de 2024.

O caso ganhou novos desdobramentos em abril deste ano, quando o TCE-MG responsabilizou a gestão estadual por falhas relacionadas ao fechamento do HMAL e aplicou multas à presidência da FHEMIG. Na decisão, o tribunal considerou que a interrupção dos serviços ocorreu sem demonstração suficiente de que a rede conseguiria manter o nível de atendimento anterior.

Com base nas constatações das visitas técnicas, Bruno Pedralva solicitou a abertura de um processo de fiscalização para apurar responsabilidades pelo eventual descumprimento da decisão do TCE e avaliar a aplicação das sanções previstas pelo tribunal. O objetivo, segundo o relatório, é verificar por que a meta de cirurgias não foi alcançada e quais medidas serão adotadas para reduzir a fila de pacientes que aguardam atendimento ortopédico na rede estadual.

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