Minas tem disputa aberta entre herdeiro de Zema, direita popular e oposição fragmentada
Mateus Simões busca consolidar o legado do atual governo, enquanto Cleitinho lidera movimentações da direita e oposição ainda procura unidade para 2026

Luciano Meira
A disputa pelo Governo de Minas Gerais em 2026 começa a ganhar alguns contornos mais definidos, mas ainda apresenta um cenário muito aberto. O estado, segundo maior colégio eleitoral do país, reúne pré-candidatos com perfis distintos e pode se tornar um dos principais palcos da disputa nacional entre os campos políticos liderados pelo presidente Lula (PT), e pela direita.
No campo governista estadual, o governador Mateus Simões (PSD), trabalha para consolidar a continuidade do projeto iniciado por Romeu Zema (Novo), em 2019. Após assumir o comando do Executivo mineiro, Simões passou a representar a aposta do grupo atualmente no poder para manter o controle do Palácio Tiradentes. Seu principal ativo é a associação à gestão Zema, aprovada por parcela do eleitorado mineiro, especialmente no interior do estado.
Apesar da força da máquina estadual, Simões enfrenta o desafio de construir uma identidade política própria. Embora seja conhecido nos meios políticos e empresariais, ainda busca ampliar seu reconhecimento junto ao eleitorado em um estado marcado por grandes diferenças regionais e pela forte influência das redes sociais na formação da opinião pública.
Nesse ambiente, o senador Cleitinho (Republicanos), desponta como um dos nomes mais competitivos da corrida eleitoral. Com discurso voltado ao combate aos privilégios da classe política e presença constante nas plataformas digitais, o parlamentar conquistou espaço entre eleitores conservadores e independentes. Pesquisas divulgadas ao longo dos últimos meses indicam que ele aparece entre os principais nomes da disputa liderando as intenções de voto.
A possível candidatura de Cleitinho também influencia diretamente a estratégia do PL em Minas Gerais. O partido ainda não apresentou um projeto próprio para o governo estadual e observa os movimentos do senador. Lideranças da legenda avaliam que uma aliança com Cleitinho poderia unificar parte expressiva do eleitorado de direita e fortalecer o palanque bolsonarista no estado, porém é algo que vai contra os planos de Nikolas Ferreira para 2030, que apoiaria Simões agora em troca de apoio em 2030 quando Simões estaria impedido de concorrer à reeleição, o que não aconteceria caso o eleito fosse Cleitinho.
Na oposição ao governo estadual, o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT), continua sendo uma das figuras mais conhecidas. Após disputar o governo em 2022, Kalil preservou influência na Região Metropolitana de Belo Horizonte e mantém interlocução com setores de centro e centro-esquerda. Seu eventual retorno à disputa dependerá da capacidade de reconstruir alianças e ampliar sua presença política além da capital.
Outro nome que busca espaço é o ex-vereador Gabriel Azevedo (MDB). Com trajetória ligada ao Legislativo municipal e discurso voltado à renovação política, ele tenta se apresentar como alternativa aos grupos que dominam a política mineira nos últimos anos. Sua principal dificuldade será transformar visibilidade na capital em projeção estadual, condição necessária para competir em um estado de dimensões continentais.
O PT, por sua vez, vive um momento de indefinição estratégica. Sem um nome naturalmente consolidado para a disputa estadual, o partido avalia diferentes caminhos para manter competitividade em Minas. Entre as possibilidades discutidas nos bastidores estão a construção de uma candidatura própria ou a formação de uma aliança mais ampla com partidos de centro-esquerda. A prioridade da legenda é garantir um palanque forte para Lula no estado, independentemente do formato escolhido.
A fragmentação das forças oposicionistas pode favorecer os candidatos mais consolidados. Enquanto o grupo de Mateus Simões busca preservar a unidade construída em torno da gestão Zema e a direita observa os movimentos de Cleitinho, setores de centro e esquerda ainda discutem qual será a melhor estratégia para enfrentar uma disputa que promete ser marcada pela polarização nacional.
A pouco mais de cem dias da eleição, o cenário permanece em aberto. Mateus Simões aposta na continuidade administrativa, Cleitinho busca converter popularidade em candidatura, Kalil tenta recuperar protagonismo, Gabriel Azevedo investe na renovação política e o PT trabalha para definir seu papel na disputa. A forma como essas forças se organizarão poderá determinar não apenas o futuro de Minas Gerais, mas também o peso do estado na eleição presidencial de 2026.


