“Dama do Crime” do Comando Vermelho é presa em operação policial no Buritis, em Belo Horizonte
Articuladora interestadual da facção carioca, Anne Casaes liderava ações criminosas e operações financeiras em Minas Gerais; Polícia Civil detalha ligação com lavagem de dinheiro e tráfico

Luciano Meira
A Polícia Civil prendeu, nesta terça-feira (15), Anne Casaes, de 38 anos, conhecida como “Dama do Crime”, em um apartamento de luxo no bairro Buritis, região Oeste de Belo Horizonte. Ela é apontada como peça-chave na articulação do Comando Vermelho (CV) em Minas Gerais e havia assumido funções centrais no comando da facção após a morte do companheiro, também integrante do CV, que ocorreu na Bolívia em 2024.
Quem é a “Dama do Crime”
Nome: Anne Casaes
Função: Articuladora e interlocutora do Comando Vermelho em Minas Gerais
Atuação: Responsável pela comunicação entre lideranças estaduais e coordenação de lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e ocultação de ativos da facção.
Antecedentes: Já havia sido investigada e presa anteriormente em Minas Gerais pelos crimes de associação criminosa e lavagem de dinheiro.
A prisão faz parte da operação “Reversus”, realizada pelas polícias civis de Minas Gerais e do Mato Grosso para desmantelar esquemas interestaduais de fraudes bancárias e ocultação de recursos ilícitos ligados ao tráfico de drogas. O esquema movimentava valores entre vários estados para simular licitude dos recursos e fortalecer a atuação do CV em diferentes regiões do país.
Foram cumpridas medidas cautelares contra 26 investigados, com 50 mandados de busca e apreensão em diversos estados.
O esquema financiava atividades criminosas incluindo tráfico interestadual, compras de armas e lavagem de grandes volumes em dinheiro. Anne seria responsável por liderar a integração financeira e operacional entre células da facção em Minas e outras regiões.
Após a morte marido na Bolívia, Júnior Gago, ex-chefe do tráfico do Comando Vermelho no Mato Grosso, Anne intensificou sua atuação, sendo reconhecida como principal elo operacional do CV em Minas. O grupo utilizava empresas de fachada e movimentação bancária estruturada para mascarar a origem ilícita dos recursos. Nas redes sociais, Anne ostentava atividades como empresária e liderava negócios, enquanto articulava as ações criminosas no estado.
O desdobramento da operação deve ampliar as investigações para outros operadores e células do Comando Vermelho que utilizam Minas Gerais como rota de tráfico e base logística. A polícia destaca que essas ações são fundamentais para enfraquecer o poder de articulação e financiamento das grandes facções no Brasil.
A prisão de Anne Casaes representa um golpe significativo contra as estruturas de liderança e logística do Comando Vermelho em Minas, além de reforçar a integração policial na repressão ao crime organizado e às práticas de lavagem de dinheiro associadas ao tráfico de drogas.