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Moradores da Penha expõem corpos após operação policial mais letal da história do Rio

Após megaoperação, comunidade denuncia possível novo recorde de mortes — ao menos 50 corpos foram reunidos em praça na Zona Norte

Moradores levam mais de 50 corpos à praça no Rio após operação para identificação – Foto: Renato Silva/Voz das Comunidades
Luciano Meira

Uma megaoperação policial nos complexos da Penha e Alemão, no Rio de Janeiro, desencadeou protestos e indignação na madrugada desta quarta-feira (29), quando moradores levaram mais de 50 corpos para a Praça São Lucas, núcleo da comunidade. A operação, considerada a mais letal já realizada no estado, deixou oficialmente 64 mortos, entre suspeitos e quatro policiais, segundo as autoridades. O saldo de vítimas, porém, pode ser ainda maior, já que os corpos expostos por familiares e ativistas não estariam incluídos na contagem da polícia, que promete perícia e investigação para esclarecer as circunstâncias das mortes.​Megaoperação, cenários de guerra e recorde de letalidade

A “Operação Contenção” mobilizou ao menos 2.500 agentes das polícias Civil e Militar com o objetivo de prender líderes do Comando Vermelho e conter a expansão territorial da facção criminosa. O saldo, além dos mortos, inclui 81 presos, entre eles um dos chefes do tráfico local, e a apreensão de 93 fuzis, granadas, pistolas e drogas. Durante a ação, cenas de guerra surgiram: criminosos armados com fuzis e camuflados foram flagrados fugindo por áreas de mata, houve uso de drones para lançar explosivos contra policiais e retaliações espalharam barricadas e paralisaram bairros inteiros no Rio. As vias principais, como a Avenida Brasil, ficaram bloqueadas durante grande parte do dia, e centenas de cariocas caminharam longas distâncias para conseguir voltar para casa.​

Corpos fora da contagem oficial e protesto dos moradores

A retirada dos corpos de áreas de mata foi organizada por familiares e ativistas, que denunciam execuções e veem nas marcas — como perfurações na nuca e ferimentos por arma branca — sinais de violência acima do “confronto”. Os corpos foram exibidos e cobertos com lençóis, à espera do Instituto Médico-Legal, em ato que, segundo os moradores, serve de denúncia frente ao que chamam de chacina histórica. O saldo pode elevar o número de mortos para até 120, caso se confirme a origem nas ações de terça-feira. O governo estadual afirmou que apura a ligação entre os mortos encontrados na manhã seguinte e o conflito, prometendo transparência, mas sem respostas até o momento.​

Reação da sociedade e cobranças por explicações

O episódio reavivou o debate sobre a segurança pública no Rio. Líderes comunitários, organizações de direitos humanos e a Assembleia Legislativa cobraram explicações sobre a estratégia, a proporcionalidade do uso da força e o impacto nas comunidades. A letalidade da operação supera ações anteriores, como a do Jacarezinho em 2021, que deixou 28 mortos, e consolidou este episódio como o mais letal da história do estado — ainda sob apuração de suas reais dimensões.​

A série de acontecimentos transformou a Zona Norte do Rio em epicentro de uma crise de segurança, num cenário em que a população civil se viu encurralada entre facções e o aparato do Estado, com desdobramentos que ainda aguardam respostas e esclarecimentos.

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