Lutando contra Leões

Camilo Lelis

Olá! Voltamos. Voltei.
Às vezes falta luz, ou surgem outras interrupções que nos desligam. Ficamos off-line.
Curioso é que, mesmo afastado da escrita, meus olhos continuam escrevendo. Independente dos dedos, que letárgicos não tocam as teclas. Retorno a esta coluna feliz, mas também profundamente triste.
Não a ponto de me apagar, nem tão feliz a ponto de alienar-me.
A alegria eufórica me faz recobrar sentidos e perceber que nossa reencarnação não é apenas festa ou a busca pelo tal “ser feliz”. Não mesmo.
Nunca acreditei nisso. Hoje, prestes a completar 54 anos, compreendo que felicidade se traduz em paz. Trabalhando nesse sentido, ela se revela — e com ela vem a alegria. A Biologia explica esse bem-estar.
Mas, voltando ao início, não posso deixar de registrar meu contentamento: a justiça brasileira funcionou. Pois é, senhores Empresários, Pastores, Delegados, Governadores e Banqueiros de plantão, a democracia começa a bater às portas de todos. Para além dos clássicos ladrões de galinha, agora adentram as celas da Papuda Generais e um legítimo criminoso, ex-presidente do Brasil, “Messias”, vulgo Bolsonaro. Alma lavada. Posso recolher-me à minha insignificância, sabendo que contribuí para esse desfecho. Afinal, militar em certas causas significa perder contratos, mas não me calei.
Já a tristeza que mencionei nasce da falta de empatia. A indiferença diante da dor alheia me fere.
Ontem, uma Mulher partiu em silêncio. Arquiteta de seu próprio fim, planejou, escreveu e até comprou o caixão. Em silêncio, afogou-se numa dor desconhecida de todos nós. O que aconteceu com a mulher, mãe, esposa, filha, irmã, amiga, para que desse cabo de sua existência? Certeza, não teremos.
Infelizmente, o suicídio é uma realidade. Uma dolorosa realidade. Para quem parte, orações podem trazer luz e direcionamento à alma. Não é fácil esse processo, nem as supostas verdades que o além nos reserva. Meus sentimentos. Uma partida brusca, desaconselhável, marca profundamente a vida dos que ficam. Causa traumas. Feridas que desejamos cicatrizar, mas que permanecem tatuadas nos espíritos de quem ainda tem a vida inteira pela frente.
As reportagens anunciam os novos tempos e o adoecimento mental da população. A solidão corrói mentes. A angústia destrói sistemas, apodrece a carne, nos retira de circulação.
Equilíbrio.
Há muito essa palavra já nos acompanha. Qual a medida certa?
Como lidar com a ganância desmedida, o ego insuportável, o narcisismo inóspito?
O culto ao “eu” abriu buracos e alargou o individualismo. Saudade da molecada. Do lazer nas ruas.
Pés descalços, fruta colhida no pé. Socialização. O desejo pelo outro. Bora brincar?
Saudade do Bando, da Matilha, do Panapanã, da revoada conjunta…
Precisamos urgentemente voltar a ser coletivo, para o bem da nossa sobrevivência.
Os neurônios também estão em extinção. Nada justifica as tais PECs da devastação e o assédio ininterrupto ao meio ambiente.
A Terra já entrou em colapso — é visível. Mas ainda querem acumular mais e mais, estocando burrice e sofrimento alheio.
Onde os filhos irão viver? O que os filhos comerão? É preciso acordar.
Brasil da COP30.
E, ao mesmo tempo, do pior Congresso da História. Deputados e Senadores.
Que lástima.
Reverter é possível.
Eleições 2026.
Mais uma vez, a Democracia, pela Constituição, assegura a você o direito de votar. Você terá que votar. Terá que escolher. Desta vez não pode haver erros: um novo Congresso precisa nascer.
Ou será o fim.
A retrospectiva de 2025 ainda não foi editada, mas já está repleta de sangramento. Sem direção, seguimos…
Uns na mesma, outros desconstruídos.
Uns “tapando o sol com a peneira”. Outros, visionários, cheios de utopias. Uns gozando de privilégios e, mesmo assim, negando fatos, estatísticas e abraços. Outros, nas arenas, lutando contra Leões.

O Metropolitano

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