Emprego formal sobe e rendimento do trabalhador bate recorde no trimestre

Massa salarial real cresce 6,6% e atinge maior patamar da série histórica do IBGE

Foto: Helena Pontes/Agência IBGE Notícia

Luciano Meira

O mercado de trabalho brasileiro apresentou crescimento no número de ocupados com carteira assinada no primeiro trimestre de 2026. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, divulgada pelo IBGE, indica que o rendimento médio real dos trabalhadores atingiu o maior valor da série histórica. O contingente de pessoas ocupadas somou 100,2 milhões no período. Este dado representa uma estabilidade estatística em relação ao trimestre anterior, mas revela alta de 2,4% no confronto anual.

O número de trabalhadores com carteira assinada no setor privado chegou a 38 milhões. Este indicador registrou um aumento de 0,9% em comparação ao último trimestre de 2025. Na comparação com o primeiro trimestre do ano anterior, o crescimento foi de 3,5%. O setor público também contribuiu para a ocupação formal, somando 12,3 milhões de pessoas, com expansão anual de 2,5%.

O rendimento médio real habitual do trabalhador foi estimado em R$ 3.123. Este valor configura um novo recorde para o primeiro trimestre desde o início da pesquisa em 2012. O índice apresentou uma alta de 1,5% em relação ao trimestre encerrado em dezembro e de 4,0% frente ao mesmo período de 2025. A massa de rendimento real habitual totalizou R$ 308,3 bilhões.

A taxa de desocupação ficou em 7,9% no encerramento do primeiro trimestre. O índice subiu 0,5 ponto percentual em relação ao trimestre anterior, movimento considerado sazonal pelo IBGE. No entanto, a taxa caiu 0,9 ponto percentual quando comparada ao primeiro trimestre de 2025. O número de desempregados no Brasil totalizou 8,6 milhões de pessoas no período.

A PNAD Contínua detalha que o nível de ocupação — percentual de pessoas em idade de trabalhar que estão ocupadas — foi de 57%. A taxa de subutilização da força de trabalho recuou para 17,9%, o menor nível para um primeiro trimestre desde 2015. O número de trabalhadores por conta própria permaneceu estável em 25,4 milhões de pessoas. A taxa de informalidade recuou levemente para 38,9% da população ocupada.

Analistas do IBGE destacam que o crescimento da massa salarial impulsiona o consumo das famílias. A expansão do emprego formal garante maior estabilidade e acesso a direitos previdenciários para os cidadãos. Especialistas afirmam que a manutenção de rendimentos elevados depende da produtividade e do controle inflacionário. O setor de serviços e a indústria foram os segmentos que mais absorveram mão de obra no início do ano.

O impacto deste cenário reflete-se na economia brasileira por meio do aumento do poder de compra. Politicamente, a redução do desemprego anual e o recorde salarial reforçam a narrativa de recuperação econômica. Socialmente, o avanço da formalização reduz a vulnerabilidade dos trabalhadores. Contudo, o mercado monitora a pressão que o aumento da massa salarial pode exercer sobre os preços e a política de juros do Banco Central.

O Metropolitano

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