Zema, o nanico: governador mineiro oscila entre o irrelevante e o decorativo nas pesquisas
Governador que afirmou não ser “vice de Flávio” aparece nanico em cenário nacional dominado por Lula

Luciano Meira
Em pouco mais de 24 horas, Romeu Zema (Novo) saiu da bravata de dizer que não será vice de Flávio Bolsonaro em 2026 para encarar um banho de realidade nas pesquisas: o governador de Minas aparece na lanterna, com um dígito tímido, em cenários em que o presidente Lula (PT) lidera com folga e vence todos os adversários simulados, tanto em primeiro quanto em segundo turno. Os números mais recentes da Genial/Quaest mostram Lula à frente em todos os cenários testados, enquanto Zema surge como figurante de luxo no bloco da direita, bem atrás até de Flávio Bolsonaro.
A bravata do “não serei vice”
Na segunda-feira, em coletiva em Minas Gerais, Zema descartou a possibilidade de ser candidato a vice-presidente na chapa do senador Flávio Bolsonaro (PL), cravando que seguirá como pré-candidato ao Palácio do Planalto “até o final”. Ao reafirmar que quer ser cabeça de chapa, o governador tentou se colocar como alternativa competitiva nacionalmente, apoiando ao mesmo tempo o projeto do clã Bolsonaro e insistindo no próprio protagonismo.
A declaração ocorre poucos meses depois de Zema celebrar a pré-candidatura de Flávio, dizendo que fazia “todo sentido” e ajudaria a somar forças no campo bolsonarista, numa estratégia de múltiplas candidaturas no primeiro turno. Agora, contudo, quem soma pouco é justamente o mineiro, engolido pelos números e reduzido a um papel mais simbólico do que efetivo na disputa.
Lula lidera todos os cenários
A primeira pesquisa Genial/Quaest de 2026 confirma que Lula segue como o nome a ser batido, liderando em todos os cenários de primeiro turno testados, com percentuais que variam de 35% a 40%, dependendo dos adversários. Em cenários de segundo turno, o petista vence todos os oponentes avaliados, incluindo Tarcísio de Freitas (Republicanos), Flávio Bolsonaro (PL) e o próprio Zema, sempre com margem confortável.
Num dos cenários de primeiro turno em que aparecem Lula, Flávio Bolsonaro e Romeu Zema, o presidente tem 39%, Flávio registra 32% e Zema amarga apenas 5% das intenções de voto, ficando muito distante do pelotão principal. Em simulação de segundo turno entre Lula e Zema, o quadro é ainda mais duro para o mineiro: o petista chega a 46%, contra 31% do governador, ampliando a diferença justamente quando o jogo fica mano a mano.
Os números de Lula e Zema
No levantamento Genial/Quaest divulgado em janeiro, em cenário de primeiro turno sem outros nomes como Ratinho Jr. ou Ronaldo Caiado, Lula aparece com 39% das intenções de voto, enquanto Zema soma apenas 5%, atrás de Flávio Bolsonaro, que marca 32%. Esses resultados reforçam a percepção de que Zema não consegue se projetar como liderança nacional competitiva, mesmo governando o segundo maior colégio eleitoral do país.
Em cenário de segundo turno direto entre Lula e Zema, o presidente mantém vantagem expressiva: 46% a 31%, segundo a pesquisa, com a diferença de 15 pontos espelhando a distância vista em outras disputas simuladas contra governadores e candidatos da direita. Em outras pesquisas recentes, como a AtlasIntel/Bloomberg de 2025, Zema já aparecia em patamar similar, com cerca de 4% no primeiro turno, enquanto Lula liderava com mais de 40%, sinalizando que o problema do mineiro é mais estrutural do que momentâneo.
Da ousadia ao constrangimento político
A insistência de Zema em afastar a hipótese de ser vice de Flávio Bolsonaro contrasta com a realidade das urnas simuladas, nas quais o senador do PL se consolida como principal nome da oposição e o mineiro oscila entre o irrelevante e o decorativo. O discurso de independência pode render manchetes, mas os percentuais de intenção de voto sugerem que, na prática, o governador teria dificuldade até para negociar um lugar de destaque no palanque bolsonarista.
Enquanto Lula acumula vitórias em todos os cenários de segundo turno testados e sustenta liderança folgada no primeiro turno, Zema segue tentando se vender como presidenciável em um mercado em que as pesquisas indicam baixa demanda pelo seu nome. A bravata de que não será vice de ninguém soa, diante dos números, menos como gesto de força e mais como ato de fé, daqueles que apostam tudo na esperança de que, até 2026, o eleitorado mude de ideia e enxergue protagonismo onde hoje as pesquisas mostram apenas irrelevância.
