90 anos do salário mínimo: hoje Lula celebra com valorização histórica
Política de reajustes acima da inflação eleva piso a R$ 1.621 em 2026, quase o dobro do que seria sem ganhos reais acumulados desde 2003

Luciano Meira
A Lei nº 185, sancionada em 14 de janeiro de 1936 pelo presidente Getúlio Vargas, instituiu o salário mínimo no Brasil, completando 90 anos nesta quarta-feira (14), em meio a um contexto de industrialização acelerada e mobilizações operárias durante o governo provisório iniciado em 1930. Regulamentada pelo Decreto-Lei nº 399 em 1938 e com valores fixados em 1940 pelo Decreto-Lei nº 2.162, a medida visava garantir subsistência básica em regiões com disparidades econômicas profundas, dividindo o país em 22 zonas com 14 patamares salariais distintos. No Estado Novo (1937-1945), o salário mínimo integrou a CLT de 1943, consolidando direitos trabalhistas em época de urbanização e lutas por melhores condições laborais.
Nesta sexta-feira (16/01), o presidente Lula participou de solenidade na Casa da Moeda que lançou uma medalha em comemoração à data.
Política de valorização sob Lula
Desde o primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010), o governo adotou política de reajuste anual do salário mínimo pela inflação (INPC) mais ganho real baseado no crescimento do PIB de dois anos anteriores, mantida por Dilma Rousseff até 2016 e retomada em 2023. Essa estratégia elevou o poder de compra em 74% acima da inflação nos governos petistas iniciais, beneficiando 62 milhões de trabalhadores e injetando bilhões na economia via benefícios previdenciários e sociais. Em 2026, o piso atingiu R$ 1.621, com reajuste de 6,7% sobre os R$ 1.518 de 2025, limitado a 2,5% de ganho real pelo arcabouço fiscal.
Impacto dos ganhos reais
Sem a política de valorização iniciada por Lula em 2003, corrigida apenas pela inflação desde então, o salário mínimo seria cerca de R$ 823 em 2026, aproximadamente a metade do valor atual, segundo o ministro Luiz Marinho. Cálculos anteriores, como os da FGV em 2025, indicavam R$ 699 para 2025 sem os 74% de ganhos reais acumulados, destacando o dobro de poder de compra alcançado. A medida fortalece a distribuição de renda e movimenta R$ 81,7 bilhões na economia este ano, afetando um terço dos trabalhadores formais.
