Itamaraty reserva vagas para indígenas e quilombolas em concurso para diplomata

Edital inédito destina cargos específicos a comunidades tradicionais sob a vigência da nova Lei de Cotas

Foto: Tânia Rego – Agência Brasil
Luciano Meira

O Ministério das Relações Exteriores (MRE) publicou, nesta quinta-feira (29), o edital para o concurso de admissão à carreira de diplomata com uma inovação histórica: a reserva de vagas para candidatos indígenas e quilombolas. A seleção, organizada pelo Instituto Rio Branco, oferece 60 vagas no total, com salário inicial de R$ 22.558.Esta é a primeira vez que o Itamaraty aplica a nova Lei de Cotas, sancionada em 2025, que ampliou as ações afirmativas no serviço público federal. Do total de postos oferecidos, 39 são para ampla concorrência, 15 para candidatos negros, três para pessoas com deficiência, dois para indígenas e um para quilombolas.

Critérios e inscrições

As inscrições ocorrem entre os dias 4 e 25 de fevereiro, por meio do portal do Cebraspe. A taxa de participação é de R$ 229, com previsão de isenção para inscritos no Cadastro Único (CadÚnico).

Para concorrer às vagas reservadas, os candidatos devem atender aos critérios de autoidentificação e pertencimento comunitário previstos na Constituição Federal e em tratados internacionais. O edital estabelece ainda uma etapa de verificação documental conduzida por uma comissão de especialistas e membros das próprias comunidades tradicionais.

Representatividade no Estado

A ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, classificou a iniciativa como a concretização de um “sonho coletivo”. Segundo a ministra, a medida assegura que os povos originários ocupem espaços estratégicos de decisão e levem seus conhecimentos para a política externa brasileira.

Ronaldo dos Santos, secretário do Ministério da Igualdade Racial, reforçou que a inclusão dessas comunidades na diplomacia altera um quadro histórico de exclusão. Segundo ele, a presença de quilombolas e indígenas no Itamaraty confere uma nova representatividade ao Estado brasileiro perante o mundo.

Apoio aos candidatos

Devido ao alto nível de complexidade do concurso, o Instituto Rio Branco manterá o Programa de Ação Afirmativa. Candidatos indígenas e negros poderão pleitear uma bolsa-prêmio destinada a auxiliar no financiamento dos estudos preparatórios para as provas, que abrangem disciplinas como Economia, Direito, Política Internacional e diversos idiomas.

O Metropolitano

Jornalismo profissional e de qualidade. Seu portal de notícias da Região Metropolitana de Belo Horizonte, de Minas Gerais, do Brasil e do Mundo. Proibida a reprodução total ou parcial, sem autorização previa do O Metropolitano. Lei nº 9610/98
Botão Voltar ao topo