Ciclone extratropical coloca Minas Gerais, São Paulo e outros sete Estados em alerta
Fenômeno deve intensificar instabilidades e provocar acumulados de até 300 milímetros de chuva a partir desta sexta-feira

Luciano Meira
A formação de um ciclone extratropical no Oceano Atlântico coloca em alerta nove Estados brasileiros a partir desta sexta-feira (30). De acordo com o instituto MetSul Meteorologia, o fenômeno deve provocar chuvas fortes, temporais isolados e queda de granizo em Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
O sistema tem origem em uma área de baixa pressão que migra do Paraguai em direção ao Sudeste. Ao atingir o mar, o centro de baixa pressão se aprofunda e se transforma em ciclone, ganhando força em águas abertas e afastando-se do continente com trajetória rumo ao sul. Embora o fenômeno não seja classificado como intenso, sua principal consequência é a canalização de umidade para o Centro-Sul do país, o que potencializa as instabilidades típicas do verão.
Volumes de chuva e riscos
As previsões indicam que os maiores impactos devem ocorrer em Mato Grosso do Sul, Goiás, São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Nessas regiões, os acumulados de chuva podem variar entre 100 mm e 200 mm no período. Em pontos isolados, o volume pode atingir a marca de 300 mm.
Especialistas alertam para o risco de alagamentos, enxurradas e inundações repentinas devido ao alto volume de água em curtos intervalos de tempo. Em áreas de relevo, há perigo de desmoronamento de rochas e quedas de barreiras, enquanto encostas apresentam risco de deslizamentos de terra.
O que é o fenômeno
O ciclone extratropical é um sistema de baixa pressão atmosférica comum em latitudes médias, fora da região equatorial. Ele se diferencia dos ciclones tropicais (como os furacões) por se formar a partir do choque entre massas de ar com temperaturas distintas — o ar quente da região equatorial e o ar frio das latitudes médias. No Brasil, sua ocorrência é frequente e, geralmente, resulta em ventos moderados e chuvas persistentes.
Para o início da próxima semana, entre os dias 2 e 3 de fevereiro, os modelos meteorológicos indicam o deslocamento de uma segunda área de baixa pressão do Paraguai para o Paraná e São Paulo, mantendo a instabilidade no tempo, embora ainda não haja confirmação de que este novo sistema se converta em ciclone.
