Com base de apoio resiliente Lula vence em todos os cenários de 1º turno
Empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro no 2º turno aponta cenário de polarização acirrada

Luciano Meira
A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada nesta quarta-feira (25) revela um cenário de empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em um eventual segundo turno para as eleições de 2026. Segundo o levantamento, o parlamentar fluminense aparece com 47,6% das intenções de voto, enquanto o petista registra 46,6%. Como a margem de erro é de um ponto percentual para mais ou para menos, os dados indicam uma paridade estatística que reflete a cristalização da polarização política no país a cerca de seis meses do pleito.
O levantamento foi realizado entre os dias 18 e 23 de março com 5.028 eleitores em todo o território nacional. A metodologia utilizou o recrutamento digital aleatório (Atlas RDR), técnica que busca minimizar vieses de amostragem em ambiente virtual. Além do confronto direto entre os principais expoentes do governo e da oposição, a pesquisa testou a viabilidade de outros nomes do espectro da direita e do centro, evidenciando que Lula mantém liderança nos cenários de primeiro turno.
Os dados detalham que, embora Flávio Bolsonaro lidere numericamente a simulação de segundo turno, Lula ainda preserva uma vantagem segura em cenários de primeiro turno contra múltiplos candidatos. Em todas as cinco simulações de turno inicial onde o nome do atual mandatário foi testado, ele aparece na primeira colocação, variando entre 45,5% e 45,9% da preferência do eleitorado. Esse desempenho sugere que a base de apoio do governo permanece resiliente, apesar de não ser suficiente, neste momento, para garantir uma vitória folgada na etapa final.
Abaixo, os cenários testados pela pesquisa AtlasIntel/Bloomberg:
Cenários de 1º Turno (Lula na disputa)
Cenário 1: Lula (45,9%), Flávio Bolsonaro (40,1%), Renan Santos (4,4%), Ronaldo Caiado (3,7%), Romeu Zema (3,1%), Aldo Rebelo (0,6%).
Cenário 2: Lula (45,5%), Flávio Bolsonaro (42,4%), Renan Santos (4,6%), Romeu Zema (3,7%), Eduardo Leite (1,2%), Aldo Rebelo (0,8%).
Cenário 3: Lula (45,7%), Flávio Bolsonaro (40,6%), Renan Santos (4,5%), Ratinho Jr.* (3,4%), Romeu Zema (3,3%), Aldo Rebelo (0,7%).
Cenário 4: Lula (45,6%), Tarcísio de Freitas (33,3%), Romeu Zema (6,2%), Renan Santos (4,6%), Ronaldo Caiado (4,2%), Aldo Rebelo (0,6%).
Cenário 5: Lula (45,7%), Flávio Bolsonaro (35,8%), Tarcísio de Freitas (7,9%), Renan Santos (4,3%), Ronaldo Caiado (2,8%), Romeu Zema (1,6%), Aldo Rebelo (0,5%).
Cenários de 2º Turno (Confronto Direto)
Flávio Bolsonaro vs. Lula: Flávio 47,6% | Lula 46,6% (Empate técnico)
Tarcísio de Freitas vs. Lula: Tarcísio 47,2% | Lula 46,6% (Empate técnico)
Michelle Bolsonaro vs. Lula: Michelle 47,0% | Lula 46,8% (Empate técnico)
Lula vs. Romeu Zema: Lula 46,6% | Zema 43,7% (Lula à frente)
Lula vs. Ronaldo Caiado: Lula 46,2% | Caiado 36,7% (Lula à frente)
Lula vs. Eduardo Leite: Lula 45,5% | Leite 22,7% (Lula à frente)
A rejeição aos pré-candidatos também foi monitorada, com o presidente Lula atingindo 52%, o maior índice do levantamento, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 46,1% de reprovação. Especialistas apontam que o desgaste da imagem presidencial pode estar associado à percepção econômica negativa no início do ano e a repercussões políticas de investigações em curso. A desistência do governador Ratinho Júnior (PSD), anunciada na última segunda-feira (23), ainda não pôde ser totalmente capturada em todos os recortes, mas já aponta para uma migração de votos no campo da centro-direita.
As repercussões políticas no Congresso Nacional indicam que a oposição utilizará os números para consolidar o nome de Flávio Bolsonaro como o herdeiro natural do espólio político de Jair Bolsonaro (PL), que permanece inelegível. No Palácio do Planalto, o sinal amarelo foi ligado para a necessidade de melhorar a comunicação das entregas sociais do governo, visando reduzir a rejeição nas faixas de renda média. Desdobramentos futuros envolvem a análise de como a economia se comportará no segundo trimestre, fator decisivo para movimentar os índices de aprovação.
O impacto social desta pesquisa reside na confirmação de que o eleitorado brasileiro continua profundamente dividido e engajado em torno de dois blocos antagônicos. Politicamente, os dados reforçam que a eleição de 2026 será decidida na margem, exigindo que as campanhas foquem nos eleitores indecisos e nos nulos, que somam cerca de 6% nos cenários mais apertados. Economicamente, a manutenção da paridade nas pesquisas tende a gerar volatilidade nos mercados, à medida que investidores calibram expectativas sobre a continuidade ou alternância de modelos fiscais e monetários.
