Datafolha: Lula vence em todos os cenários e aumenta distância de Flávio Bolsonaro

Pesquisa Datafolha aponta liderança do atual presidente na corrida eleitoral após o vazamento do caso "Dark Horse"

Presidente Lula (PT) – Foto: Ricardo Stuckert

Luciano Meira

O instituto Datafolha divulgou nesta sexta-feira (22/05/2026) uma nova pesquisa de intenção de votos para a eleição presidencial de 2026. O atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), lidera todos os cenários testados e ampliou a sua vantagem sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O levantamento ocorreu entre os dias 20 e 22 de maio, uma semana após o portal The Intercept Brasil revelar áudios em que o parlamentar cobra 134 milhões de reais do banqueiro Daniel Vorcaro. O empresário está preso preventivamente desde março pela Polícia Federal por corrupção institucional, lavagem de dinheiro e organização de uma estrutura clandestina para intimidar opositores e autoridades do Banco Central. Flávio Bolsonaro declarou que o dinheiro correspondia a um patrocínio privado para um documentário sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, batizado de “Dark Horse”.

Os novos dados contrastam com o levantamento anterior do mesmo instituto, realizado entre 12 e 14 de maio, quando a maior parte das entrevistas antecedeu o escândalo financeiro. Naquela ocasião, Lula acumulava 38% das intenções de voto no primeiro turno, contra 35% de Flávio Bolsonaro. A diferença de três pontos percentuais configurava um empate técnico no limite da margem de erro. O avanço do atual mandatário para os patamares atuais indica a primeira oscilação significativa do eleitorado após a eclosão das denúncias contra o principal nome da oposição.

No principal cenário de primeiro turno pesquisado pelo Datafolha, Lula alcançou 40% das intenções de voto. Flávio Bolsonaro registrou 31% das menções, o que representa uma queda de quatro pontos percentuais em relação à semana anterior. O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), e o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), aparecem em seguida, com 4% e 3% respectivamente. Os votos em branco, nulos ou em nenhum candidato somam 9%, enquanto 3% dos entrevistados não souberam responder.

Arte RMC

O instituto também testou um cenário alternativo de primeiro turno com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) como candidata da oposição no lugar do enteado. Nessa simulação, Lula obteve 41% das preferências, enquanto Michelle alcançou 22%. Romeu Zema marcou 6% e Ronaldo Caiado pontuou 5%. O desempenho da ex-primeira-dama reforça as discussões internas no Partido Liberal sobre a viabilidade de uma substituição na cabeça de chapa, embora analistas apontem o menor grau de conhecimento nacional de Michelle como um fator limitante neste momento.

Arte RMC

Nas simulações de segundo turno, o atual presidente vence todos os adversários testados pela pesquisa. No confronto direto contra Flávio Bolsonaro, Lula obteve 47% das intenções de voto, contra 43% do senador fluminense. Na rodada de meados de maio, os dois concorrentes apareciam empatados com 45% cada um. Em um eventual embate entre Lula e Michelle Bolsonaro, o petista registra 48% das menções frente a 43% da representante do PL. O atual mandatário também vence Caiado e Zema pelo mesmo placar de 48% a 39%.

A taxa de rejeição dos pré-candidatos continua elevada e mantém o quadro de forte polarização política no país. Segundo o Datafolha, 46% dos eleitores afirmam que não votariam em Flávio Bolsonaro de jeito nenhum. O presidente Lula enfrenta uma desidratação similar, com 45% de rejeição entre os entrevistados. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro aparece com 31% de veto popular, seguida por Romeu Zema e Cabo Daciolo (Mobiliza), ambos com 18%.

Os segmentos socioeconômicos mostram divisões claras no perfil dos eleitores de cada candidato. Lula mantém os seus maiores índices de apoio entre as mulheres, as parcelas mais pobres da população, eleitores com menor nível de instrução formal, moradores da região Nordeste e cidadãos católicos. Flávio Bolsonaro registra os seus melhores desempenhos entre os homens, o eleitorado evangélico, moradores das regiões Sul, Norte e Centro-Oeste, além das classes média e alta.

Especialistas em pesquisas de opinião afirmam que o caso “Dark Horse” funcionou como um teto para o crescimento da candidatura de Flávio Bolsonaro fora de sua bolha tradicional. O cientista político Alberto Almeida avalia que o eleitorado de centro tendeu a se afastar do senador após as denúncias de transações com o Banco Master. O analista lembra que o avanço da investigação policial e a possibilidade de uma delação premiada de Daniel Vorcaro geram incertezas adicionais para o planejamento da campanha eleitoral da direita.

O impacto econômico e político do levantamento deve acelerar as articulações no Congresso Nacional e no mercado financeiro. Partidos de oposição já avaliam o tamanho do desgaste da imagem do clã Bolsonaro e cogitam uma pressão maior pela instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar as relações entre políticos e o Banco Master. No ambiente econômico, investidores monitoram a estabilidade das instituições financeiras envolvidas nas investigações da Polícia Federal, diante do temor de contágio no crédito privado.

A consolidação da liderança de Lula traz alívio temporário para o Palácio do Planalto em um período de negociações orçamentárias complexas. O resultado dá fôlego político para o governo defender a sua agenda econômica e tentar atrair partidos de centro para a base aliada. Os desdobramentos jurídicos da Operação Compliance Zero e as futuras decisões do Supremo Tribunal Federal sobre o caso ditarão o ritmo e a estabilidade das candidaturas até o início oficial do período de campanha.

O Metropolitano

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