Josué entra no radar de Lula para disputa em Minas

Com a eventual recusa de Rodrigo Pacheco, PT e PSB avaliam o empresário Josué Gomes como alternativa para manter um palanque competitivo ao governo mineiro em 2026

Josué Gomes (PSB) – Foto: Fiesp

Luciano Meira

A possibilidade de o empresário Josué Gomes da Silva (PSB), disputar o governo de Minas Gerais com apoio do presidente Lula ganhou força nas articulações políticas depois de novos sinais de que o senador Rodrigo Pacheco não deve aceitar o convite para entrar na corrida estadual. Filho do ex-vice-presidente José Alencar, Josué passou a ser tratado por aliados do Planalto e por dirigentes partidários como uma alternativa para preservar um palanque governista em um dos principais colégios eleitorais do país.

Pacheco é o nome preferido de Lula para a sucessão mineira e vinha sendo estimulado pelo presidente e por aliados a disputar o Palácio Tiradentes. Nos últimos meses, porém, o senador manteve resistência à candidatura e nesta semana indicou ao PT que não pretende concorrer, o que acelerou a busca por um plano alternativo. A mudança de cenário abriu espaço para o avanço de conversas em torno de Josué, hoje filiado ao PSB.

O nome de Josué oferece ao campo lulista algumas vantagens políticas. Ele carrega o peso simbólico da ligação com José Alencar, ex-vice de Lula, e pode ajudar o presidente a associar sua candidatura em Minas a uma tradição de diálogo com o empresariado. Ex-presidente da Fiesp, Josué também é visto como um nome capaz de circular entre setores produtivos e de amenizar resistências ao PT em parte do eleitorado mineiro.

Os dados disponíveis, porém, indicam uma viabilidade eleitoral condicionada. Em 2014, Josué disputou o Senado por Minas Gerais, recebeu mais de 3 milhões de votos e terminou em segundo lugar, desempenho que demonstrou capacidade de transferência de imagem e algum grau de recall no estado. Ao mesmo tempo, ele não construiu desde então uma base política capilarizada entre prefeitos, deputados e lideranças regionais, estrutura considerada decisiva em uma eleição para o governo mineiro.

Esse é hoje o principal limite de sua eventual candidatura. Diferentemente de Pacheco, que reúne experiência institucional, presença frequente no estado e interlocução consolidada com atores locais, Josué é visto mais como um nome de composição do que como um líder orgânico da política mineira. Adversários também poderiam explorar sua trajetória empresarial em São Paulo para sugerir que ele seria um candidato com pouca inserção cotidiana em Minas.

A construção de uma chapa competitiva dependeria ainda do comportamento de outros atores do campo não bolsonarista. O PT avalia também nomes como o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil e do ex-presidente da Câmara de Belo Horizonte Gabriel Azevedo (MDB), tentando evitar a fragmentação entre partidos que gravitam em torno do governo federal. Nesse quadro, Josué poderia funcionar como ponto de equilíbrio entre PT e PSB, mas sua força dependeria da disposição de Lula de se envolver diretamente na campanha em Minas, hipótese mencionada por aliados de Pacheco nas negociações mais recentes.

Especialistas e dirigentes ouvidos por diferentes veículos apontam que a competitividade de Josué não decorre apenas de sua votação passada, mas da utilidade política de seu nome para a estratégia nacional de Lula. Minas costuma ter peso decisivo nas disputas presidenciais, e o presidente busca evitar que a oposição domine o estado sem enfrentar uma candidatura ligada ao governo federal. Nesse sentido, Josué serviria ao mesmo tempo como opção eleitoral e como instrumento de reorganização da base aliada mineira.

Se a candidatura se confirmar, o impacto tende a ir além da sucessão estadual. Para Lula, uma aliança em torno de Josué poderia ampliar a interlocução com o empresariado e manter presença competitiva em Minas, mas também carregaria o risco de lançar um nome com estrutura política inferior à de Pacheco. Para o estado, a entrada do empresário recolocaria no centro do debate o papel das alianças nacionais, da memória política de José Alencar e da capacidade dos partidos de centro e esquerda de construir uma alternativa viável à direita mineira.

O Metropolitano

Jornalismo profissional e de qualidade. Seu portal de notícias da Região Metropolitana de Belo Horizonte, de Minas Gerais, do Brasil e do Mundo. Proibida a reprodução total ou parcial, sem autorização prévia do O Metropolitano. Lei nº 9610/98
Botão Voltar ao topo