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Rogério Correia pede afastamento de Nikolas Ferreira após motim bolsonarista na Câmara

Deputado do PT formaliza representação por quebra de decoro e acusa parlamentar mineiro de liderar ocupação antidemocrática da Mesa Diretora, em episódio que paralisou o Congresso por 36 horas

Deputado federal Rogério Correia (PT-MG) – Foto: Noemi Silva
Luciano Meira

O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) apresentou nesta quinta-feira (8) pedido formal de afastamento cautelar do mandato de Nikolas Ferreira (PL-MG) à Mesa Diretora da Câmara dos Deputados. Correia acusa o colega de protagonizar atos de desobediência e quebra de decoro ao liderar, junto de outros parlamentares de direita, a ocupação da presidência da Casa por quase dois dias, em protesto contra a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e exigindo anistia a envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.

A representação detalha que Nikolas fez transmissões ao vivo durante a ocupação, desafiando abertamente o presidente da Câmara, Hugo Motta, e incitando seus seguidores a desrespeitar decisões institucionais. Segundo o documento, o parlamentar mineiro resistiu fisicamente a desocupar a cadeira da Presidência mesmo após sucessivas ordens, e ainda teria simulado uma agressão, em comportamento classificado como “teatralização da quebra institucional e tentativa de criar narrativa de vitimização”.O pedido de afastamento, com base no Código de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara e fundamentado no Regimento Interno da Casa, prevê a suspensão de Nikolas Ferreira por até 180 dias, além de abertura de processo disciplinar que pode resultar em cassação de mandato. Rogério Correia sustenta que a conduta de Nikolas representa ataque à democracia, abuso de prerrogativas e ameaça deliberada ao funcionamento regular do Parlamento.

O episódio ocorreu após bolsonaristas contestarem a prisão domiciliar do ex-presidente e tentarem, à força, pautar projetos de interesse próprio, bloqueando as atividades do legislativo e exigindo o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do STF. A direção da Câmara retomou o controle somente após negociação e reforço da segurança, condenando publicamente a ruptura e prometendo apuração dos fatos.

A postura de Nikolas Ferreira, que afirmou “Que se dane!” quando alertado sobre possível cassação, reacende o debate sobre limites da atuação parlamentar e uso abusivo de discursos performáticos em nome da liberdade de expressão, frequentemente confundida com autorização para descumprir normas e desacatar autoridades.

A Câmara agora deverá decidir se acolhe os pedidos de Rogério Correia, sinalizando eventuais desdobramentos no Conselho de Ética e um novo capítulo na crise política protagonizada pela ala radical bolsonarista.

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