Zema o “limpinho e cheiroso” em meio a inquérito que apura fraude de R$ 15 bi na Loteria Mineira

Ex-governador de MG critica PL de Flávio Bolsonaro enquanto MP apura irregularidades em licitação iniciada em sua gestão

Romeu Zema (Novo) – Arquivo RMC

Luciano Meira

Romeu Zema (Novo), ex-governador de Minas Gerais declarou ser representante de uma direita livre de corrupção. Ele fez a afirmação em entrevista na Associação Comercial de São Paulo em 13 de abril de 2026. Zema criticou o PL, partido de Flávio Bolsonaro, ao afirmar que a legenda contém “frutas podres”.

No mesmo dia, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) instaurou inquérito civil para investigar a licitação da Loteria do Estado de Minas Gerais (LEMG). O processo, estimado em R$ 15,4 bilhões para 25 anos, enfrenta suspeitas de fraude, direcionamento e prejuízo aos cofres públicos. A representação veio da Associação dos Operadores de Jogos e Loterias de Minas Gerais (Assoperlot/MG).

A licitação teve início quando Zema ainda ocupava o cargo de governador. Ele se afastou do governo em 22 de março de 2026 para disputar a eleição presidencial de 2026. O diretor-geral da LEMG, Onésimo Diniz Moreira, e o vice-diretor, Antônio Celso Alves Pereira Filho, são alvos da apuração.

O MPMG aponta ausência de publicação prévia do Estudo Técnico Preliminar (ETP) e inserção posterior de documento incompleto. A denúncia menciona possível supressão de manifestações críticas na consulta pública de 31 de março. Os fatos podem configurar crimes como frustração do caráter competitivo da licitação e falsidade ideológica.

Durante a gestão Zema, a dívida pública de Minas Gerais cresceu 75,3%. O saldo passou de R$ 114,7 bilhões em 2019 para mais de R$ 201 bilhões em 2025. O governo assinou R$ 9,6 bilhões em contratos de dispensa de licitação nos primeiros quatro anos.

O governo de Zema mantém opacidade nas isenções fiscais, conhecidas uma típica “caixa preta”. O novo Portal da Transparência, lançado em março de 2026, não revela beneficiários de renúncias que podem superar R$ 120 bilhões.

Zema intensificou críticas ao STF na mesma entrevista. Ele defendeu a prisão de ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. As declarações ocorrem em contexto de pré-campanha presidencial, com pesquisas como Datafolha indicando 4% de intenções de voto para ele no primeiro turno.

Especialistas em direito administrativo apontam que irregularidades em licitações bilionárias demandam transparência total. O procurador-geral do MPMG, Jarbas Soares Jr., determinou apurações em casos semelhantes na gestão Zema.

O inquérito pode prorrogar a concessão ou anulá-la, afetando operadores locais e a Intralot, atual concessionária. Outras investigações, como a Operação Rejeito da PF sobre corrupção na mineração ligada ao governo, questionam a narrativa de Zema.

A gestão Zema enfrenta denúncias de favorecimento em licenças ambientais e dispensas de licitação. O MPMG apura responsabilidade do ex-governador em irregularidades passadas.

Impacto Político e Econômico

O episódio compromete a imagem auto proclamada de Zema como opção “limpa” na direita para 2026. Politicamente, enfraquece sua diferenciação do PL e pode reduzir apoio em Minas Gerais. Economicamente, prejuízos potenciais de R$ 15,4 bilhões agravam a dívida estadual e reforçam os questionamentos sobre benefícios das isenções fiscais, cujos retornos ao Estado permanecem desconhecidos.

O Metropolitano

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