Bando de portugueses aplica golpes e acaba preso em Juiz de Fora
Três lusitanos confessam estelionato ao vender falsificações em Juiz de Fora sob calamidade pública; ironia histórica evoca degredados de 1500 que chegavam ao Brasil como bandidos

Luciano Meira
A Polícia Civil de Minas Gerais prendeu em flagrante, nesta terça-feira (3), três portugueses – de 20, 43 e 66 anos – suspeitos de formar um bando que se aproveitava da tragédia das chuvas em Juiz de Fora para aplicar golpes com produtos falsificados. Sob decreto de calamidade pública, os marginais circulavam em carros de luxo, abordando pedestres vulneráveis e vendendo ternos, óculos, perfumes, malas e panelas piratas como itens de marcas famosas a preços “imperdíveis”. A operação “Burla” – termo ibérico para estelionato – flagrou o trio ao chegar a um hotel no centro da cidade, com estoque ilícito avaliado em alto volume nos veículos e quartos.
Exploração cínica da desgraça alheia
Identificados por inteligência policial após registros semelhantes no Alto Paranaíba (Patos de Minas e Rio Paranaíba), os criminosos confessaram o esquema predatório, que visava maximizar lucros na fragilidade social pós-enchentes. “Eles atuavam em momento de calamidade, lesando quem já sofria perdas”, disparou o delegado Márcio Rocha, ratificando prisões por associação criminosa e crimes contra propriedade industrial. Veículos foram apreendidos, e uma mulher de 43 anos, companheira do grupo, foi ouvida e liberada por negar participação; vítimas devem registrar queixas na delegacia.
Ironia histórica agrava o escárnio
Mais de quinhentos anos após 1500, quando Portugal enviava ao Brasil seus primeiros degredados – bandidos, traidores e vadios exilados como colonizadores –, eis que lusitanos reaparecem como estelionatários, trocando a toga de descobridores pela de vigaristas em solo mineiro. O padrão de “golpe do falso português”, com falsificações revendidas como originais em crises, ecoa prisões antigas em Brasília e Rio, onde quadrilhas ibéricas usavam astúcia para ludibriar incautos. Autoridades mineiras prometem rigor.
