Zema fala em cortar benefícios sociais mas se cala sobre escândalo de R$ 348 milhões

Ex-governador mineiro prega austeridade contra aposentados e crianças enquanto silencia sobre suspeitas de corrupção na Educação

Romeu Zema (Novo) – Agência Minas

Luciano Meira


O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) intensificou a defesa de uma agenda econômica centrada no corte de benefícios sociais e na flexibilização de direitos fundamentais. Em declarações recentes, o político defendeu a alteração de leis que regulamentam o trabalho infantil e afirmou que não é possível garantir ganhos reais para aposentados. A postura gera críticas de especialistas, que apontam insensibilidade social e uma estratégia deliberada de focar o ajuste fiscal na população de baixa renda, criando uma discussão paralela quando o ex-secretário de Educação de seu governo está envolvido em um escândalo de R$ 348 milhões.

Zema defendeu publicamente a revisão das leis sobre trabalho infantil, sob o argumento de que a legislação atual seria excessivamente rígida. Para o ex-governador, o trabalho em idades precoces poderia auxiliar na formação do indivíduo, declaração que confronta tratados internacionais dos quais o Brasil é signatário. Em outro evento voltado ao eleitorado de extrema-direita, o político afirmou que o reajuste das aposentadorias deve ser limitado, descartando ganhos acima da inflação para manter o equilíbrio das contas públicas.

A retórica da austeridade, no entanto, apresenta lacunas no que tange à gestão da coisa pública. Durante seu mandato em Minas Gerais, Zema nomeou Rossieli Soares para a Secretaria de Educação, figura central em um escândalo que envolve R$ 348 milhões em compras suspeitas de material didático. A investigação aponta irregularidades na aquisição de livros sem licitação adequada, mas o ex-governador evita comentar o caso em suas plataformas oficiais. Havendo ainda sem informações, a “caixa preta” das isenções fiscais que Zema e seu sucessor Mateus Simões (PSD) de forma deliberada mantém escondidas.

Analistas políticos observam um padrão na conduta do ex-governador. Ao omitir discussões sobre corrupção em sua própria gestão, Zema concentra o debate público na necessidade de economizar em programas como o Bolsa Família. De acordo com interlocutores da oposição, a economia gerada pelo corte de benefícios sociais poderá ser direcionada para parcerias e negócios com a iniciativa privada, seguindo um modelo de “estado mínimo” que prioriza o lucro corporativo sobre o bem-estar social.

A ausência de um discurso contundente contra os desvios de recursos públicos contrasta com a firmeza em propor o fim de proteções trabalhistas e previdenciárias. Rossieli Soares, braço direito de Zema na Educação, permanece sob os holofotes de órgãos de controle devido ao montante milionário sob suspeita. Enquanto isso, o ex-governador mantém o foco na mobilização de bases conservadoras, utilizando termos que dialogam com a direita radical.

O impacto das propostas de Zema é visto como um risco à estabilidade social. O corte de ganhos reais para aposentados reduz o poder de consumo de milhões de famílias, enquanto a flexibilização do trabalho infantil ameaça décadas de avanços nos direitos da criança e do adolescente. Politicamente, a estratégia de silenciar sobre Rossieli indica uma tentativa de blindagem administrativa em meio às pretensões eleitorais do grupo de Zema.

Economistas alertam que o ajuste fiscal proposto por Zema penaliza desproporcionalmente os mais pobres. Ao não enfrentar a corrupção e os gastos ineficientes em contratos privados, o político transfere o peso da dívida pública para os beneficiários de auxílios governamentais. O impacto político dessa agenda aproxima o ex-governador de Flávio Bolsonaro (PL), que da mesma forma vê na sensibilidade social um entrave ao desenvolvimento humano.

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