Aliado de banqueiro Vorcaro, “Sicário” morre na prisão após tentativa de suicídio em BH
Luiz Phillipi Mourão, preso na terceira fase da Operação Compliance Zero, atentou contra a própria vida nesta quarta (4); ele atuava como executor de tarefas ilícitas para Daniel Vorcaro, dono do Banco Master

Luciano Meira
O investigado Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário” ou “Felipe Mourão”, morreu na noite de quarta-feira (4) em Belo Horizonte, após ser preso pela Polícia Federal (PF) na terceira fase da Operação Compliance Zero. Segundo a PF, Mourão foi levado para a carceragem da corporação logo após o cumprimento do mandado de prisão preventiva expedido pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e atentou contra a própria vida. Reanimado pelos policiais, recebeu atendimento do Samu e foi encaminhado a um hospital, mas não resistiu, com morte encefálica declarada.
A organização criminosa
Daniel Vorcaro, empresário mineiro de 42 anos formado em Economia e ex-presidente do Banco Master (antigo Banco Máxima), é o principal alvo das investigações que apuram fraudes bilionárias no sistema financeiro nacional. A operação, deflagrada em novembro de 2025 pelo MPF e PF com apoio do Banco Central, mira a emissão de créditos falsos, gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro, organização criminosa e tentativa de aquisição do banco pelo BRB, instituição ligada ao governo do DF. Nesta terceira fase, deflagrada nesta quarta, a PF cumpriu quatro prisões preventivas e 15 buscas em SP e MG, com bloqueio de até R$ 22 bilhões em bens, incluindo um jatinho de R$ 200 milhões apreendido em etapas anteriores. Vorcaro, descrito como “banqueiro do luxo extremo”, foi preso no mesmo dia em São Paulo.
Papel central de “Sicário” no esquema
Luiz Phillipi Mourão, réu por organização criminosa e lavagem de dinheiro, atuava como ajudante próximo de Vorcaro, recebendo supostamente R$ 1 milhão mensais para coordenar um grupo dedicado à vigilância de adversários. Chamado de “Sicário” pelo banqueiro, ele monitorava críticos, obtinha informações sigilosas e liderava ações de ameaça, corrupção e invasão de dispositivos informáticos, conforme relatórios de inteligência da PF extraídos de seu celular. Considerado agiota em esquemas de pirâmide pelo MP-MG, Mourão gerenciava integrantes da organização, ocultando provas via exclusão de mensagens. Sua estrutura de espionagem financiada por Vorcaro visava proteger interesses no Banco Master e em setores como imobiliário e saúde.
A PF destacou que as provas reforçam o papel de liderança de Mourão, enquanto o STF manteve a prisão de Vorcaro e seu cunhado em audiência de custódia. O caso expõe vulnerabilidades no sistema financeiro, com investigações em curso desde 2024.
