Suspeito de feminicídio no Dia da Mulher é preso em BH após matar companheira a facadas

Jhonatans Douglas de Oliveira, 36, confessou crime em Santa Luzia (MG) que vitimou Mariana Camila de Oliveira Santos, 30, com mais de 30 perfurações; filhos presenciaram agressão e acionaram PM, expondo ciclo de violência doméstica

Jhonatans Douglas de Oliveira – Foto Reprodução Redes Sociais
Luciano Meira

Mariana Camila de Oliveira Santos, de 30 anos, foi assassinada a mais de 30 facadas pelo companheiro Jhonatans Douglas de Oliveira, de 36 anos, na madrugada de domingo (8), no bairro Baronesa, em Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. O crime ocorreu no Dia Internacional da Mulher, dentro da casa do casal, com três filhos da vítima — de 5, 8 e 10 anos — presenciando a briga; o mais velho ligou para o 190 e pediu socorro a vizinhos. Suspeito fugiu após o ataque, mas foi preso na manhã desta segunda-feira (9) em uma praça no bairro Zilah Spósito, na Região Norte de BH, após confessar o feminicídio à PM.

O crime e e reação das crianças

O casal chegou em casa por volta das 17h de sábado, após o trabalho — ela como salva-vidas —, e a discussão começou à noite, possivelmente por ciúmes ou após Jhonatans voltar com uma pizza. No quarto, ele atacou Mariana com uma faca de cozinha, desferindo mais de 30 golpes pelo corpo; o Samu confirmou a morte no local, e a perícia identificou perfurações profundas. O filho de 10 anos, de relacionamento anterior, correu para a casa de um vizinho gritando por ajuda, enquanto as crianças de 8 anos (também de relação anterior) e 5 anos (do casal) foram resgatadas pela avó paterna.Jhonatans demonstrou frieza: antes, avisou a mãe que ia “resolver um problema”; após, minimizou o ato como “um homicídiozinho” e disse que voltaria. A PM o localizou em BH após buscas, e ele foi levado à Delegacia de Homicídios de Santa Luzia, onde a Polícia Civil investiga o caso como feminicídio qualificado.

Histórico de violência

O relacionamento durava sete anos, oficializado há dois meses, mas era marcado por agressões recorrentes, ameaças e boletins de ocorrência registrados por Mariana contra Jhonatans. Familiares descrevem o ciclo clássico da violência doméstica: agressões seguidas de pedidos de perdão e promessas vazias; o suspeito, lutador de muay thai com três passagens pelo sistema prisional por crimes não especificados, consumia drogas, agravando o padrão abusivo.

A irmã da vítima lamentou: “Foi mais uma vítima que vai ficar pra estatística”, destacando a falha em quebrar o ciclo apesar dos registros policiais. Mariana deixa três filhos órfãos de mãe, agora sob cuidados familiares.

Preso e próximos passos da investigação

Jhonatans foi preso preventivamente e encaminhado ao presídio, com a Sejusp confirmando seu histórico criminal. A Polícia Civil colhe depoimentos de testemunhas, incluindo as crianças e vizinhos, e analisa imagens de câmeras próximas para reconstruir a timeline. O caso ganha repercussão por ocorrer no Dia da Mulher, coincidindo com atos contra a violência de gênero em BH, onde ativistas da Casa de Marias reforçaram: “Nossa luta não pode parar”.

A tragédia reforça a necessidade de medidas protetivas eficazes e conscientização sobre sinais de violência doméstica, como os que Mariana enfrentava há anos.

O Metropolitano

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