Cellos-MG celebra 25 anos e reforça pauta de direitos humanos na ALMG

Em audiência pública, parlamentares e ativistas destacam a resistência da comunidade LGBTQIAPN+ e a importância da ocupação de espaços político

Carlos Magno Silva Fonseca, fundador e presidente de honra do Centro de Luta pela Livre Orientação Sexual e Identidade de Gênero de Minas Gerais – Cellos, deputada estadual Bella Gonçalves (PSOL), Maicon Filipe Silveira Chaves, presidente do Centro de Luta pela Livre Orientação Sexual e Identidade de Gênero de Minas Gerais – Foto: Willian Dias/ALMG
Luciano Meira

A Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) realizou, nesta quinta-feira (12), audiência pública para homenagear os 25 anos do Centro de Luta pela Livre Orientação Sexual de Minas Gerais (Cellos-MG). O evento, que reuniu lideranças do movimento e parlamentares, serviu como balanço das conquistas da entidade, responsável pela organização da Parada do Orgulho LGBT de Belo Horizonte e por ações de incidência política no Estado.O Cellos-MG surgiu no final da década de 1990 com o objetivo de retirar a população LGBTQIAPN+ da invisibilidade e combater a violência estrutural. Durante a reunião, foi enfatizado que a organização não se limita à celebração cultural, mas atua como um órgão de pressão para a implementação de políticas públicas em saúde, segurança e educação.

Articulação política e resistência

A deputada Bella Gonçalves (PSOL), autora do requerimento para a audiência, destacou que a trajetória do Cellos-MG se confunde com a própria história da redemocratização e da luta por direitos em Minas Gerais. Segundo a parlamentar, o fortalecimento de instituições como o Cellos é essencial para que o Legislativo não se feche às demandas das minorias. Gonçalves afirmou que a presença do movimento na ALMG reafirma o compromisso da Casa com a dignidade humana.

A deputada ressaltou ainda que a atuação do grupo é um antídoto contra o retrocesso de pautas sociais. Para ela, a “política do afeto e da resistência” promovida pela entidade ajudou a humanizar o debate público e a pautar temas que antes eram ignorados pelos gestores estaduais.

Vozes do movimento

Durante os depoimentos, o presidente do Cellos-MG, Maicon Chaves, relembrou os desafios enfrentados para manter a organização ativa por duas décadas e meia. Ele pontuou que a entidade sobreviveu a diferentes contextos políticos, mantendo a independência para cobrar o Estado. Chaves reforçou que o aniversário é um momento de “celebrar a vida de quem sobreviveu ao preconceito, que o marco de 25 anos representa a transformação de diferença em potência democrática”.

Outros participantes destacaram que a Parada do Orgulho, principal evento gerido pelo Centro, é hoje o maior ato político de massa em Minas Gerais. O movimento defende que a visibilidade gerada pelo evento é a porta de entrada para a discussão de políticas de empregabilidade e acolhimento para a população trans e travesti, setores ainda vulneráveis no mercado de trabalho e no acesso a serviços básicos.

Perspectivas futuras

A audiência encerrou-se com o compromisso da Comissão de Direitos Humanos de continuar acompanhando as denúncias de violações enviadas pelo Cellos-MG.

Como parte das celebrações, a sede da entidade receberá um mural histórico simbolizando a memória das lutas passadas e a preparação para os desafios futuros na defesa da diversidade, em festa aberta ao público programada para esta sexta-feira (13).

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