Sem estatuetas, Brasil vê domínio de épico americano no Oscar 2026
Premiação é marcada por produções com forte carga social e ausência de manifestações políticas no palco

Luciano Meira
A 98ª edição do Oscar, realizada neste domingo (15) em Los Angeles, terminou sem vitórias para o cinema brasileiro. O país concorria em cinco categorias com duas produções distintas, mas foi superado por dramas internacionais e pelo grande vencedor da noite, o épico “Uma Batalha Após a Outra”, de Paul Thomas Anderson, que recebeu seis estatuetas, incluindo a de melhor filme.
O suspense “O Agente Secreto”, dirigido por Kleber Mendonça Filho, era a principal esperança do Brasil. O longa disputava os prêmios de melhor filme, melhor filme internacional, melhor ator (Wagner Moura) e melhor direção de elenco (Gabriel Domingues). Na categoria de filme internacional, o vencedor foi o norueguês “Valor Sentimental”, de Joachim Trier. Wagner Moura perdeu o troféu para Michael B. Jordan, protagonista de “Pecadores”.
A quinta indicação brasileira estava na categoria de melhor fotografia. O diretor de fotografia Adolpho Veloso concorria pelo trabalho no filme americano “Sonhos de Trem”, mas a estatueta ficou com Autumn Durald Arkapaw, por “Pecadores” — a primeira mulher a vencer nesta categoria na história da premiação.
Mensagem no lugar do discurso
Diferente de anos anteriores, a cerimônia de 2026 foi marcada pela escassez de discursos políticos diretos nos agradecimentos. A Academia e os premiados optaram por uma postura sóbria, deixando que a temática das obras falasse por si.
A eloquência política migrou do microfone para as telas. Os filmes vencedores trouxeram mensagens densas sobre memória, luto e crises sociais, como o curta-documentário “All the Empty Rooms”, que aborda a violência armada em escolas, e o próprio “Uma Batalha Após a Outra”, que explora conflitos morais contemporâneos. Fora do palco, o ativismo restringiu-se ao tapete vermelho, onde artistas utilizaram broches pedindo cessar-fogo em conflitos internacionais e criticando políticas imigratórias.
Vencedores das principais categorias:
Melhor Filme: “Uma Batalha Após a Outra”
Melhor Direção: Paul Thomas Anderson (“Uma Batalha Após a Outra”)
Melhor Ator: Michael B. Jordan (“Pecadores”)
Melhor Atriz: Jessie Buckley (“Hamnet: A Vida Antes de Hamlet”)
Melhor Filme Internacional: “Valor Sentimental” (Noruega)
Melhor Animação: “Guerreiras do K-Pop”
