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Gilmar Mendes pede inclusão de Zema em inquérito das Fake News no STF

Magistrado aciona PGR após ex-governador de Minas usar 'deepfake' para atacar Corte em meio a pré-candidatura sem base partidária e desgaste na gestão fiscal

Ministro Gilmar Mendes, Romeu Zema (Novo) – Reprodução Redes Sociais – Arte:RMC

Luciano Meira

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), encaminhou nesta segunda-feira (20) notícia-crime à Procuradoria-Geral da República (PGR) com pedido de investigação contra o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo). O magistrado solicita ao ministro Alexandre de Moraes que o político mineiro seja incluído no inquérito que apura a disseminação de notícias falsas e ataques a integrantes da Corte. A iniciativa ocorre após Zema divulgar vídeo que utiliza tecnologia de simulação de vozes para emular diálogos inexistentes entre ministros do tribunal.

O vídeo compartilhado pelo ex-governador mostra bonecos que representariam Gilmar Mendes e Dias Toffoli em uma negociação de decisões judiciais por vantagens pessoais. Na peça, o personagem atribuído a Mendes anula quebras de sigilo em troca de hospedagem em um resort. Em seu despacho, o decano do STF afirmou que o conteúdo usa mecanismos de “deepfake” para vulnerar a higidez da instituição e promover a imagem pessoal do pré-candidato à Presidência. O caso aguarda manifestação do procurador-geral da República.

A investida contra o Judiciário marca o esforço de Zema para consolidar-se como alternativa no campo da direita bolsonarista. O ex-governador mantém pré-candidatura ao Planalto para 2026, apesar de registrar baixos índices de intenção de voto. Pesquisa Datafolha divulgada em abril aponta que o mineiro detém 5% das preferências no cenário de primeiro turno. O desempenho é similar ao de outros nomes do espectro conservador, como Ronaldo Caiado (União Brasil), que soma 4%.

A viabilidade eleitoral do partido Novo é dificultada pela ausência de tempo de rádio e TV e pelo acesso limitado ao fundo eleitoral. Nas eleições de 2022, a legenda não atingiu a cláusula de barreira, resultado de um desempenho nacional considerado pífio fora de Minas Gerais. Sem a estrutura das grandes siglas, Zema aposta em discursos de confronto para tentar superar a condição de apêndice de lideranças nacionais da direita.

O tom crítico ao STF contrasta com o histórico da gestão mineira. Durante o governo, Zema utilizou decisões da própria Corte para suspender o pagamento de parcelas da dívida de Minas Gerais com a União. Gilmar Mendes lembrou publicamente que o Estado foi beneficiado por liminares do Supremo para aliviar as contas públicas. Os números oficiais indicam que, sob a administração do Novo, o estoque total do débito mineiro cresceu 63%, ultrapassando R$ 200 bilhões.

Especialistas em contas públicas apontam que o crescimento da dívida ocorreu enquanto Zema se apresentava como gestor austero. A estratégia de sustentar as finanças estaduais via judicialização permitiu o adiamento de reformas estruturais. Agora, em campanha, o político afirma que o tribunal “cheira mal” e que seus integrantes “merecem prisão”, declarações que embasam o pedido de investigação por calúnia e difamação.

A inclusão de Zema no inquérito das fake news pode trazer desdobramentos jurídicos à sua elegibilidade. O impacto político imediato é o acirramento da polarização com o Judiciário, tática frequente para mobilizar o eleitorado conservador digital. Contudo, a dependência mineira de acordos de renegociação de dívida mediado pela Corte cria um impasse administrativo para o Estado.

O episódio reflete a persistente tensão entre o STF e setores da direita, que utilizam o ataque às instituições como plataforma eleitoral. Para o país, o impacto reside na fragilização do debate democrático por meio de desinformação tecnológica. Economicamente, a instabilidade política e a incerteza sobre o pagamento das dívidas estaduais comprometem a confiança de investidores na federação brasileira.

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