Cleitinho lidera disputa em Minas; Mateus Simões tem baixo desempenho eleitoral
Pesquisa Genial/Quaest aponta vantagem do senador do Republicanos e dificuldades para o atual governador

Luciano Meira
A seis meses das eleições estaduais, o cenário eleitoral em Minas Gerais indica uma liderança isolada do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos). O levantamento Genial/Quaest, realizado entre os dias 22 e 26 de abril de 2026, mostra que o parlamentar concentra a maioria das intenções de voto em todos os cenários estimulados de primeiro turno. O estudo ouviu 1.482 eleitores em 69 municípios mineiros e possui margem de erro de três pontos percentuais.

O atual governador e candidato à reeleição, Mateus Simões (PSD), apresenta números inexpressivos no início da disputa. Na modalidade espontânea, Simões é citado por apenas 2% dos entrevistados. Já nos cenários estimulados de primeiro turno, o chefe do Executivo mineiro oscila entre 3% e 5% das intenções de voto. O desempenho coloca o governador em patamar técnico similar a candidatos com menor visibilidade institucional.
A liderança de Cleitinho Azevedo é sustentada por índices que variam de 30% a 37%, dependendo da configuração dos adversários. O ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PDT), aparece na segunda posição, com percentuais entre 14% e 18%. O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSB), ocupa o terceiro lugar nos cenários em que é testado, flutuando entre 8% e 12% da preferência do eleitorado.
O levantamento também avaliou o governo de Romeu Zema (Novo), padrinho político de Mateus Simões. A aprovação da gestão estadual é de 52%, enquanto a desaprovação atinge 41%. Apesar do saldo positivo da administração, Simões encontra dificuldades para herdar o capital político de Zema. A pesquisa revela que 49% dos mineiros acreditam que o atual governador não merece eleger um sucessor indicado por ele.
Em um eventual segundo turno, Cleitinho Azevedo venceria todos os oponentes testados. Contra Mateus Simões, o senador teria 46% dos votos contra 13% do atual governador. Em uma disputa direta com Alexandre Kalil, Cleitinho venceria por 48% a 26%. Os dados mostram que a rejeição e o desconhecimento de Simões são obstáculos para a estratégia de continuidade do grupo político que comanda o estado.

Especialistas em comportamento eleitoral apontam que o alto número de indecisos e votos brancos ou nulos ainda permite alterações no quadro. No cenário I de primeiro turno, por exemplo, a soma de indecisos e votos não válidos chega a 33%. Entretanto, a consolidação de Cleitinho Azevedo em diferentes estratos sociais e geográficos indica um favoritismo precoce fundamentado em sua atuação parlamentar.
O impacto desses dados reflete a desconexão entre a aprovação do governo atual e a viabilidade eleitoral do sucessor oficial. A baixa performance de Mateus Simões força uma reavaliação nas alianças partidárias da base governista. Politicamente, os números fortalecem candidaturas de oposição e independentes, indicando que o eleitor mineiro busca renovação ou o retorno de figuras já conhecidas em cargos majoritários.
