Mateus Simões tenta confundir eleitor com narrativa sobre escolas cívico-militares
Governador tenta associar modelo suspenso pela Justiça ao prestigiado Colégio Tiradentes para reverter baixa popularidade

Luciano Meira
A seis meses das eleições estaduais, o governador Mateus Simões (PSD) intensificou o uso de uma narrativa que induz o eleitorado mineiro ao erro. Ao insistir na implementação das escolas cívico-militares, projeto já suspenso pelo Tribunal de Contas (TCE-MG) e pelo Tribunal de Justiça (TJMG), o chefe do Executivo tenta “pegar carona” no prestígio do Colégio Tiradentes da Polícia Militar. A estratégia visa reverter seu desempenho inexpressivo nas pesquisas, onde Simões não ultrapassa os 5% de intenções de voto.
A manobra consiste em apresentar as unidades cívico-militares como uma extensão da excelência dos colégios da PMMG. Neste domingo (26/4), na Praça de Serviços do Governo Presente, em Araxá, Mateus disse que o município será contemplado com uma nova unidade do Colégio Tiradentes da Polícia Militar (CTPM), que será instalado na Escola Estadual Padre Anacleto Giraldi, no entanto, as estruturas são juridicamente e pedagogicamente distintas, o que leva o cidadão de mediana capacidade intelectual ter dúvidas sobre que tipo de escola será instalado naquele local, já que Simões não deu nenhuma informação sobre o que seria feito com professores, equipe pedagógica, direção e funcionários da escola.
O Colégio Tiradentes é uma instituição militar autônoma e consolidada há décadas, o modelo cívico-militar é uma “gestão compartilhada” improvisada, que utiliza militares da reserva para funções disciplinares em escolas da rede estadual comum, sem a mesma infraestrutura ou corpo docente especializado.
Confira abaixo as diferenças fundamentais que o governo omite em seus discursos oficiais:
| Características | Colégio Tiradentes (PMMG) | Escola Cívico-Militar |
| Administração | Integralmente militar (PMMG) | Gestão compartilhada (Civis + Militares reserva) |
| Corpo Docente | Professores selecionados para a unidade | Professores da rede estadual comum |
| Público-alvo | Dependentes de militares e civis via sorteio | Comunidade local em áreas de vulnerabilidade |
| Financiamento | Orçamento próprio vinculado à Segurança | Tesouro Estadual (sem uso do Fundeb) |
| Status Jurídico | Instituição militar de ensino prevista em lei | Modelo experimental suspenso pela Justiça |
A insistência de Simões ignora decisões judiciais recentes. Em fevereiro de 2026, o desembargador Pedro Carlos Bitencourt Marcondes, do TJMG, restabeleceu a suspensão do programa determinada pelo TCE, sob o argumento de que a proposta carece de planejamento orçamentário e fere a estabilidade do sistema de controle externo. Ao reenviar o projeto à Assembleia Legislativa em abril, o governador cria um fato político para terceirizar a culpa de um provável novo bloqueio judicial à “oposição” ou ao “ativismo do Judiciário”.
Essa postura repete o padrão adotado no projeto de recomposição salarial das forças de segurança. Simões enviou à ALMG uma proposta de 5,4% que ele próprio sabe ser insuficiente frente às perdas inflacionárias da categoria, mas que utiliza como escudo político. Ao propor algo tecnicamente frágil ou inconstitucional, o governador prepara o terreno para alegar incompetência alheia quando suas promessas de campanha esbarrarem na realidade jurídica que ele deliberadamente ignorou.
Analistas políticos apontam que a estratégia de Simões reflete o desespero de uma candidatura que não consegue herdar o capital político de Romeu Zema (Novo). Nesta terça-feira a nova pesquisa Genial/Quaest traz números ridículos entre 3% e 5% de intenção de votos no governador. Ao prometer modelos de ensino e reajustes salariais sem lastro legal, o governador aposta no conflito institucional como ferramenta de marketing. O impacto social dessa “desonestidade de proposta” é a frustração de famílias que buscam segurança educacional e de servidores que aguardam valorização real, sendo usados como massa de manobra para uma narrativa de vitimização eleitoral.
A incompetência na gestão de projetos estruturantes, somada à desonestidade intelectual na comunicação com a população, coloca Minas Gerais em um impasse político. Enquanto o Judiciário e o Legislativo tentam manter a higidez das contas públicas, o Executivo flerta com o populismo administrativo, prometendo o que não pode cumprir e culpando as instituições pela própria paralisia.
