Comissão da Assembleia aprova requerimento de informações sobre exoneração de Rossieli Soares
Deputada Beatriz Cerqueira obtém aval para pedidos de informações e audiência com a Controladoria-Geral do Estado

Luciano Meira
A Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) aprovou, nesta quarta-feira (29/4), dois requerimentos apresentados pela deputada estadual Beatriz Cerqueira (PT). As medidas buscam esclarecer as circunstâncias da exoneração de Rossieli Soares da Silva do cargo de Secretário de Estado de Educação. O governo estadual confirmou o desligamento do gestor na noite de 27 de abril, após a circulação de informações sobre uma investigação interna.
O requerimento 21.060/26 solicita dados detalhados à Controladoria-Geral do Estado (CGE) sobre procedimentos investigativos em curso. A deputada Beatriz Cerqueira demanda o número do processo administrativo, o objeto da apuração e a autoridade que determinou a abertura da sindicância. O pedido também interroga se houve identificação preliminar de ilegalidades e quais outros agentes públicos ou privados estariam envolvidos no caso.
A Controladoria-Geral do Estado deve informar ainda a previsão de conclusão dos trabalhos e os órgãos que já receberam os dados coletados. O governo de Minas Gerais divulgou nota oficial mencionando a existência de um procedimento investigativo contra Rossieli Soares, mas não forneceu detalhes sobre o conteúdo das apurações. Rossieli Soares nega irregularidades e apresenta versão divergente sobre o motivo de sua saída do primeiro escalão.
A comissão também aprovou o requerimento 21.061/26, que agenda uma audiência pública para o dia 6 de maio. O colegiado convocou a Controladora-Geral do Estado para debater presencialmente os fatos que motivaram a investigação contra o ex-secretário. A deputada Beatriz Cerqueira afirma que a transparência é necessária devido à relevância da Secretaria de Educação para o funcionalismo e para os estudantes mineiros.
Investigações jornalísticas e denúncias parlamentares anteriores citavam possíveis irregularidades na compra de material didático. O valor sob suspeita somaria R$ 348 milhões, montante que superaria economias pretendidas pelo governo em outras áreas patrimoniais. O ex-secretário Rossieli Soares, que já ocupou o Ministério da Educação, era o responsável pela gestão desses contratos antes de sua exoneração repentina.
O governo de Minas mantém a postura de que as investigações seguem o rito administrativo padrão do Programa de Fortalecimento da Integridade. A exoneração ocorreu horas após a divulgação de que o governador Mateus Simões condicionava a nomeação de reitores à venda de ativos da UEMG. O Executivo não estabeleceu conexão direta entre os fatos, mas a oposição parlamentar aponta uma crise na gestão educacional.
A análise do cenário indica que a aprovação dos requerimentos eleva a pressão política sobre o governo de Mateus Simões. O impacto econômico reside na fiscalização de contratos de alta monta, enquanto o impacto político atinge a credibilidade da gestão da educação estadual. Socialmente, o caso gera instabilidade na rede de ensino, pois o esclarecimento das denúncias de corrupção ou má gestão é essencial para a continuidade das políticas públicas em Minas Gerais.
