Polícia Federal deflagra nova fase contra fraudes no Banco Master

Segunda etapa da Operação Compliance Zero cumpre 42 mandados em cinco estados e bloqueia R$ 5,7 bi; ministro Haddad alerta para possível maior fraude bancária da história do país

Arquivo RMC
Luciano Meira

A Polícia Federal desencadeou nesta quarta-feira (14/1) a segunda fase da Operação Compliance Zero, com 42 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, além de bloqueios de R$ 5,7 bilhões em bens ligados ao Banco Master, de Daniel Vorcaro. A ofensiva visa desarticular suposta organização criminosa acusada de gestão fraudulenta, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro em fraudes que podem superar R$ 17 bilhões, após liquidação do banco pelo BC em novembro passado.

Cronologia das fraudes e investigações

O escândalo irrompeu em março de 2025, quando o Banco de Brasília (BRB) anunciou compra do Master por R$ 2 bilhões, frustrada pelo Banco Central (BC) devido a irregularidades; em 18 de novembro, o BC decretou liquidação extrajudicial por crise de liquidez e riscos sistêmicos, com intervenção de 120 dias e nomeação de liquidante. Na mesma data, a PF lançou a primeira fase da Compliance Zero, prendendo Vorcaro no aeroporto rumo a Dubai e o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, investigando emissão de CDBs e títulos falsos sem lastro, carteiras de crédito fictícias vendidas ao BRB e manipulação contábil para inflar ativos em até R$ 17 bilhões. Soltos por habeas corpus do TRF, os investigados cumprem medidas restritivas usando tornozeleira eletrônica e estão vetados do setor financeiro.Entrevista de Haddad e visão do governo

Nesta terça (13/1), o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, classificou o caso como potencial “maior fraude bancária da história do país”, elogiando o “trabalho robusto” do presidente do BC, Gabriel Galípolo, com quem dialoga diariamente. Haddad defendeu rigor técnico, transparência e proteção ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), financiado inclusive por bancos públicos como Caixa e BB, priorizando ressarcimento a depositantes até R$ 250 mil e articulação com TCU para apuração de responsabilidades. O governo, segundo ele, monitora de perto para salvaguardar o interesse público e o sistema financeiro, sem ceder a pressões.

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