Delegada recém-empossada é presa em SP por laços com o PCC

Layla Lima Ayub, nomeada em dezembro, atuava como advogada para facção em audiências de custódia; operação do MP cumpre buscas em dois estados

Fotos: Reprodução Redes Sociais – Arte RMC
Luciano Meira

A delegada de Polícia Civil Layla Lima Ayub, empossada há menos de um mês como delegada de 3ª classe em São Paulo, foi presa temporariamente nesta sexta-feira (16) por suspeita de vínculos pessoais e profissionais com o Primeiro Comando da Capital (PCC), principal facção criminosa do país. A detenção ocorreu durante a Operação Serpens, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP), em conjunto com o MP do Pará e a Corregedoria da Polícia Civil paulista, que cumpriu dois mandados de prisão e sete de busca e apreensão em São Paulo e Marabá (PA), resultando ainda na captura de um integrante do PCC em liberdade condicional. As investigações, iniciadas por mecanismos internos da Polícia Civil, revelaram que Ayub, ex-policial militar do Espírito Santo e advogada criminalista, atuou irregularmente em audiências de custódia para presos ligados à facção logo após a posse em 19 de dezembro de 2025, violando o Estatuto da Advocacia e normas estaduais que proíbem o exercício privado da profissão por delegados.

Perfil e relações suspeitas

Ayub, que levou o namorado Jardel Neto Pereira da Cruz, conhecido como Dedel e apontado como chefe do tráfico de armas e drogas em Roraima com ligações ao PCC, à cerimônia de posse no Palácio dos Bandeirantes, é investigada por possível infiltração na instituição a mando do crime organizado. Em 28 de dezembro, nove dias após empossada, ela defendeu um integrante do PCC preso em Rondon do Pará, usando acesso a inquéritos e dados sigilosos para favorecer a facção, segundo o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado). Um juiz destacou a gravidade: “Se já não nos tornamos um narcoestado, estamos a poucos passos disso”, alertando para a ousadia do PCC em carreiras públicas.Reações e desdobramentos

O procurador-geral de Justiça de SP, Paulo Sérgio Costa, afirmou que setores de inteligência coíbem infiltrações do crime em estruturas estatais, enquanto o secretário de Segurança Pública, Oswaldo Nico, confirmou a presença de Dedel no evento oficial. Não há indícios de fraude no concurso de delegada, segundo autoridades, e a defesa de Ayub não foi localizada até o momento. A operação reforça combates a tentáculos do PCC, que responde por massacres e domina o narcotráfico paulista desde os anos 1990.

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