Fim da escala 6×1: Sexta-feira vira folga para funcionários de empresas em Portugal
Companhias portuguesas adotam semana de quatro dias após projeto-piloto apresentar ganhos de produtividade

Luciano Meira
Quarenta e uma empresas em Portugal implementaram a semana de trabalho de quatro dias de forma permanente. A decisão ocorreu após a conclusão de um projeto-piloto coordenado pelo governo português entre 2023 e 2024. As organizações participantes reduziram a jornada semanal para 32 ou 36 horas sem diminuir os salários dos funcionários. O modelo “100-80-100” prevê o pagamento de 100% do salário por 80% do tempo de trabalho, mantendo 100% da produtividade anterior.
O projeto-piloto envolveu inicialmente empresas de diversos setores, como tecnologia, consultoria e indústria. O Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) de Portugal monitorou os indicadores de desempenho durante seis meses. Os dados indicam que 95% das empresas avaliaram a experiência como positiva. A redução da escala buscou combater o esgotamento profissional e aumentar a atratividade das empresas no mercado de trabalho europeu.
Relatórios do Ministério do Trabalho de Portugal detalham os antecedentes da medida. O governo buscou alternativas para enfrentar a escassez de mão de obra qualificada e os altos índices de estresse laboral. O coordenador do projeto, Pedro Gomes, professor da Universidade de Londres, afirmou que a reorganização do trabalho permitiu eliminar tarefas redundantes. As empresas otimizaram reuniões e fluxos de comunicação para compensar a ausência de um dia útil.
Os dados econômicos revelam estabilidade ou crescimento nas receitas das empresas adeptas. O absenteísmo caiu 20% nas companhias monitoradas e o volume de pedidos de demissão diminuiu significativamente. Os funcionários relataram melhora na saúde mental e maior equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Para as empresas, o custo operacional de manter os escritórios abertos por cinco dias foi reduzido, gerando economia em energia e manutenção.
A repercussão do modelo português atingiu outros países da União Europeia. Sindicatos locais defendem que a medida deve ser expandida para o setor público em 2027. No entanto, associações comerciais manifestaram cautela sobre a aplicação do modelo em setores que exigem presença física constante, como varejo e saúde. Especialistas em economia do trabalho sugerem que a flexibilidade é o principal diferencial para a retenção de talentos na economia digital.
Desdobramentos legislativos podem consolidar a prática no Código do Trabalho de Portugal. O Parlamento discute incentivos fiscais para empresas que adotarem escalas reduzidas de forma voluntária. A experiência portuguesa serve como referência para debates semelhantes no Brasil e nos Estados Unidos. Analistas preveem que a adoção em larga escala dependerá da capacidade de automação de processos em setores tradicionalmente intensivos em mão de obra.
O impacto social da semana de quatro dias reflete-se na revitalização do consumo local e do lazer. O dia extra de folga estimula o turismo doméstico e atividades culturais durante a semana. Economicamente, o aumento da eficiência individual compensa a menor carga horária, sustentando a competitividade das empresas no cenário internacional. Politicamente, a medida reforça a agenda de bem-estar social do governo português, posicionando o país como pioneiro em reformas laborais modernas.
